Código 17 - POLÍTICA

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Thursday, January 04, 2007

Lula classifica de "histórica" aliança com PMDB para o 2º mandato

ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT) disse na noite desta quarta-feira que considerou "histórica" a aliança fechada pela tarde com o PMDB em torno de seu segundo mandato. "A reunião com o PMDB foi histórica, pois todo mundo sabe que queríamos uma política de alianças mais sólida com o partido desde 2002", afirmou.

Após mais de duas horas de reunião no Palácio do Planalto, Lula e o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer, acertaram as bases para uma aliança entre o partido e o governo para o segundo mandato do petista.

Lula afirmou que ficou "satisfeito" com a informação que recebeu de Temer de que há uma disposição dentro do partido para trabalhar com o governo.

Com relação às eventuais indicações do PMDB para ministérios, o presidente voltou a afirmar que não tem pressa para montar a sua nova equipe e indicou que pode iniciar o ano sem esta definição.

"Acabei de ganhar uma eleição com o time que está aí jogando. Não tenho angústia. Na hora que entender que tenho que fazer mudanças, farei", disse.

Lula disse ainda que vai procurar outras forças políticas para participarem da coalizão que quer montar para sustentar seu segundo mandato. Ele defendeu a busca de um "consenso" para que o país consiga crescer.

"Tenho dedicado meu tempo para discutir a desobstrução do país no que diz respeito a infra-estrutura, saneamento e à capacidade de investimento. Tenho participado de reuniões de três, quatro horas para que possamos começar o ano sem os problemas do passado", afirmou.

Lula participou nesta noite da entrega de um prêmio para as prefeituras que melhor administram a merenda escolar no país. Ao contrário do habitual, ele não discursou durante a cerimônia.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 22/11/2006)

PSDB vive crise de identidade

KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online


A disputa entre José Serra e Geraldo Alckmin pela candidatura presidencial do PSDB em 2006 será vista como fichinha perto da contenda que se anuncia para daqui a quatro anos. O duelo entre Serra e o governador eleito de Minas, Aécio Neves, pela candidatura tucana ao Palácio do Planalto em 2010 promete ser mais duro.

Serra e Aécio deverão ter posição moderada em relação a Lula nos próximos dois anos, pois dependem de boa convivência administrativa com a União a fim de resolver problemas graves em seus Estados. Serra terá a imensa tarefa de melhorar a segurança pública num Estado atemorizado pelo PCC. E Aécio enfrentará o desafio de virar um nome nacional.

Em determinado momento, lá por meados de 2008, Serra deverá incorporar um forte discurso anti-Lula. E Aécio tenderá a apostar numa via de conciliação, um "oposicionista light" que o petista não combateria com unhas e dentes se não tiver um nome competitivo do PT ou do campo aliado para concorrer à sua sucessão.

É no contexto dessa disputa que Serra cogita criar uma legenda de centro-esquerda. Difícil? Certamente. Possível "refundar o PSDB"? Talvez. Aproveitar uma estrutura partidária que já existe, inchá-la e dar-lhe outro nome? Pode ser por aí.

Apesar de ter dado passos históricos para a modernização capitalista do país, os dois governos presidenciais do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002) são vistos como pragas indefensáveis em eleições pelos candidatos tucanos.

Em 2002, Serra foi derrotado por Lula recusando-se a defender o governo que integrava. Alckmin fugiu de FHC como o diabo da cruz, e acabou encurralado pela armadilha das privatizações.

O "selo" PSDB estaria fadado ao fracasso? Se não ousar defender a obra de FHC, tucanos candidatos a presidente terão chance de vitória em disputas futuras? Parece que não. E argumentos existem.

Num certo sentido, o atual PSDB precisa ser implodido, nem que seja para renascer como uma legenda sem medo do passado.

Estilo ACM

Serra negou que esteja pensando em criar um novo partido. Chegou a dizer que foi informado dessas articulações pela Folha Online. O futuro governador de São Paulo tem um método autoritário de se relacionar com a imprensa. Só gosta de ver publicadas versões autorizadas. Terá um tortuoso caminho até a Presidência a continuar com o estilo Antonio Carlos Magalhães de relacionamento com a mídia.

O entrave ambiental

Lula está contrariado com regras ambientais que dificultariam um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 5% ao ano. Deseja que a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) seja mais flexível.

Deve ter cuidado com suas cobranças por alguma frouxidão na seara ambiental. Após muitos anos de sucateamento, o Ibama teve sua estrutura reforçada no governo Lula. Marina está aplicando a lei. E, ironia do destino, o baixo crescimento do PIB parece estar salvando parte de nossa flora e fauna.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 12/11/2006)

Serra cogita criar partido de centro-esquerda

ELIANE CANTANHÊDE
KENNEDY ALENCAR
Colunistas da Folha Online


O governador eleito de São Paulo, José Serra, cogita liderar a criação de um novo partido de centro-esquerda. Em conversas reservadas, ele avalia que há um "vácuo político" no país depois do acirramento das divisões internas do PSDB e dos escândalos que levaram o PT à sua maior crise.

Serra, que se elegeu em primeiro turno, com 57,93% dos votos válidos, tem contatos em todos os partidos, em todos os Estados. Conforme a Folha apurou, ele já começou a mapear informalmente deputados, senadores e líderes regionais que possam integrar a nova legenda. É uma alternativa para um rearranjo partidário que imagina que terá início a partir das eleições de 2006 e como saída para o caso de a disputa interna no PSDB pela candidatura a presidente em 2010 chegar a um nível de racha extremo.

O perfil desse partido seria nacionalista, mas moderno. Seria uma legenda "desenvolvimentista" que deixaria claro que não deseja colocar em risco a estabilidade. Defenderia um Estado ajustado do ponto de vista fiscal, mas ativo e forte nas relações de indução do crescimento econômico.

Serra considera que se firmou nacionalmente como "a esquerda moderna", capaz de assumir um projeto desenvolvimentista para o país, sem criar a sensação de descontrole das contas públicas e de leniência com a inflação --ou seja, sem aventuras e sem assustar o mercado financeiro.

Ele também tem defendido o retorno de um discurso nacionalista, que sumiu do debate interno depois de ser confundido ao longo do tempo com idéias atrasadas e anti-globalização. Na versão de Serra, o nacionalismo moderno seria caracterizado por abertura ao mercado internacional, mas com fortes doses de proteção ao interesse brasileiro em alguns setores.

Os quadros desse novo partido dos sonhos do futuro governador de São Paulo viriam de praticamente todas as legendas, desde o próprio PSDB até o PP gaúcho --que está à direita no espectro político--, passando por PMDB, PPS, PSB, PDT, PV e sem descartar parlamentares e ex-parlamentares do PT.

Entre os nomes citados, estão o ex-governador e agora senador eleito Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), os deputados federais Fernando Gabeira (PV-RJ), Roberto Freire (PPS-PE), Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA), Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG).

Serra não descartaria, também, nomes sem mandato, como o ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim, cotado para uma pasta no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na versão de Serra a seus interlocutores, o quadro partidário está esgotado depois da chegada do PT ao poder e da vitória da reeleição de Lula, que completariam um ciclo político no país depois do fim da ditadura militar, em 1985.

Um outro fator decisivo para o movimento do governador eleito é a divisão do PSDB, hoje com dois fortes potenciais candidatos à Presidência em 2010: ele, Serra, e o governador reeleito de Minas, Aécio Neves.

Os dois têm conversado e acertado uma espécie de pacto de boa convivência, mas os próprios tucanos apostam que Serra e Aécio devem ter posição moderada em relação a Lula no início do segundo mandato, devendo, porém, tomar caminhos diferentes até 2010.

Serra quer se preservar como líder da centro-esquerda anti-Lula, enquanto Aécio apontaria para uma posição de maior aproximação e conciliação com o Planalto e com forças políticas de centro, como o PMDB governista.

A outra ponta peemedebista, de oposição a Lula no primeiro mandato, é também conhecida como "PMDB serrista". Esse grupo é integrado, por exemplo, pelo presidente do partido, Michel Temer (SP) --aliás, outro candidato a se filiar à nova legenda.

Em determinado momento nos próximos quatro anos, mais perto da eleição de 2010, Serra deverá assumir posição forte como anti-Lula, explicitando divergências num tom maior do que de Aécio, que aposta num caminho de conciliação pelo centro do espectro político.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 06/11/2006)

Tuesday, October 31, 2006

A política pós-Lula

KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online


Reeleito hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará obrigatoriamente fora da cédula eleitoral de 2010. É um fato muito significativo. Lula concorreu a presidente nas últimas cinco eleições presidenciais, incluindo a que termina hoje. Perdeu as disputas de 1989, 1994 e 1998. Conquistou o Palácio do Planalto em 2002. E deverá ser confirmado no cargo neste domingo.

Como ficará o jogo político pós-Lula? O PT terá o imenso desafio de construir uma nova liderança capaz de concorrer com chance daqui a quatros anos. Na esteira dos escândalos do mensalão e do dossiegate, parece tarefa hercúlea. Pelo menos, aos olhos de hoje. Se Lula fizer um bom segundo mandato, terá cacife para ditar o rumo do PT e até obrigar o partido a fazer aliança com outra sigla na condição de vice ou apoiador.

E o PSDB, partido que desde 1994 disputa o poder central com o PT, lançará quem em 2010? Haverá espaço no mesmo partido para José Serra, governador eleito de São Paulo, e Aécio Neves, reeleito ao governo de Minas Gerais? Surgirão novas agremiações políticas, como resultado do enxugamento do quadro partidário em curso?

A seguir, uma avaliação sobre os futuros presidenciáveis e seus desafios:



Marta Suplicy

A ex-prefeita de São Paulo deverá integrar o primeiro escalão do segundo mandato. Cotada para a pasta das Cidades, é uma aposta do PT pós-Lula. Em 2004, ela perdeu a prefeitura para Serra. Ganhará agora a chance de voltar ao topo da política.

Marta disputará a prefeitura novamente em 2008? E se Geraldo Alckmin atrapalhar os planos de Serra de apoiar a reeleição do atual prefeito, o pefelista Gilberto Kassab? Alckmin sai desta eleição maior do que entrou, independentemente da votação que obterá hoje. Fixou seu nome nacionalmente. Tem forte imagem em São Paulo. Pode ser osso duro de roer para Marta em 2008. E atrapalhar um pouco os planos de Serra, se se inclinar por Aécio na disputa interna tucana.

Há quem aposte que a ex-prefeita preferirá continuar ministra até 2010, evitando o desgaste de ter de abandonar a prefeitura no meio do mandato se a conquistá-la. Basta lembrar o tanto que ela cobrou Serra por ter feito isso.



Uma revelação petista

Antes de cair em desgraça política no início de 2006, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, era o nome de Lula para a sucessão de 2010. Revelação, Palocci conquistou apoio empresarial e político ao conduzir com competência e habilidade a área econômica.

Será possível que outro petista repita o lado bom de sua ascensão política? Sim, mas não é fácil. Se Guido Mantega deixar a Fazenda, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, são os petistas cotados para substituí-lo.

Gabrielli é afinado com o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, político hábil e amigo de Lula. Não é mera especulação elencar Wagner no time de herdeiros de Lula. Taí uma possibilidade de surpresa.

Pimentel tem boa relação com Aécio e deseja suceder o tucano no governo mineiro em 2010. Tentaria um atalho para a Presidência se viesse a ter sucesso na Fazenda? Esses mineiros estão sempre surpreendendo na política.



Ciro Gomes

No campo lulista, é outro nome cotado para a sucessão de 2010. O presidente gosta muito dele, um ex-ministro que se elegeu deputado federal pelo PSB do Ceará. Ciro tem força no Nordeste. Aceitaria fazer uma aliança com Aécio, como aventam alguns petistas da cúpula? Ou seria o candidato de Lula daqui a quatro anos em parceria com Marta? O PT e a petista aceitariam a vice dele? Se Lula estiver forte e bancar, sim.



Aécio x Serra

Esse é o grande duelo. Os dois tucanos, com vantagem para Serra, encabeçam a lista dos candidatos mais fortes à sucessão de Lula. Alckmin vai querer entrar nessa briga? Talvez, mas já teve a sua chance.

Serra tem feito articulações para garantir o apoio do PFL à sua candidatura em 2010. Chega até a pensar em construir num novo partido político, de centro-esquerda, para não ter de ficar brigando com Aécio no ninho tucano. O governador eleito de São Paulo é uma espécie de queridinho do establishment, sobretudo empresariado e mídia.

Serra não deverá estar na linha de frente dos ataques da oposição ao presidente. Mas sabe que, daqui a dois ou três anos, terá de vestir os trajes de anti-Lula. O caminho da conciliação é de Aécio, que já aposta numa aproximação com o PT e o PMDB para tentar ser candidato a presidente em 2010.

Para dificultar a vida de Serra, o governador mineiro já estimula tucanos a estimular Alckmin a ser presidente do PSDB, em substituição ao senador Tasso Jereissati, e a concorrer a prefeito de São Paulo em 2008, numa manobra para dificultar a candidatura de Kassab à reeleição.

Como reza o surrado dito popular, muita água passará debaixo da ponte até 2010, mas a sucessão de Lula já está no centro das articulações de todos os grandes partidos.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 29/10/2006)

Por que Lula venceu

Gilberto Dimenstein

Lula venceu por um simples motivo: conseguiu aliar seu passado de retirante nordestino com os avanços sociais nos quatro anos de seu mandato, gerando uma forte identificação com os eleitores, a maioria deles pobres.

Claro que essa identificação foi estimulada por uma permanente operação de marketing como se estivéssemos sempre em ano eleitoral. É claro também que Lula se beneficiou da herança bendita (inflação baixa, aumento das exportações, maior controle dos gastos) do governo anterior.

Mas os números mostram que, nos últimos quatro anos, os mais pobres tiveram aumento expressivo de renda, devido à combinação do Bolsa Família, da elevação do mínimo, baixa no preço dos alimentos, entre outros fatores. A sensação de melhoria não foi uma ilusão, mas real, vista na quantidade de produtos nas geladeiras --e, até, nos migrantes que voltavam para suas terras.

Se isso tudo é sustentável, é outra discussão. O Brasil é um país de maioria de pobres --e os pobres se sentiram menos pobres. Para entender a vitória do Lula, o resto, inclusive o desempenho de Alckmin, não passa de acessório.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 29/10/2006)

Lula é reeleito presidente do Brasil com mais de 57 mi de votos

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 61, foi reeleito neste domingo com 60,8% dos votos válidos, segundo apuração parcial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral às 21h20. Com 99,13% das urnas apuradas, Lula contabilizava 57.891.775 de votos.

Lula venceu no segundo turno o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), 53, que somava 39,2% dos votos (37.343.656) às 21h20.

A vitória do petista confirma as pesquisas de intenção de voto. Durante toda a eleição, desde o primeiro turno, Lula aparecia em primeiro lugar. Pesquisa Datafolha, divulgada ontem, apontava a vitória de Lula com 61% dos votos válidos.

Ex-torneiro mecânico e primeiro líder de um partido de esquerda eleito presidente, Lula consegue igualar a façanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 1998, o tucano chegou ao segundo mandato consecutivo --foi o primeiro presidente a se beneficiar da reeleição no Brasil.

Houve uma diferença, porém. Ao contrário de Lula, FHC conseguiu a reeleição já primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos --escolhido por quase 36 milhões de eleitores.

Nestas eleições, além dos adversários, Lula teve que enfrentar uma verdadeira avalanche de crises políticas e de escândalos envolvendo o Congresso Nacional, membros de seu governo e dirigentes de seu partido, o PT. A mais recente crise estourou durante a campanha eleitoral e causou revolta na oposição: a tentativa de compra de um dossiê antitucano.

O episódio continua sendo investigado pela Polícia Federal e pela Justiça. Existe no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), inclusive, um processo de impugnação da candidatura do petista, que pode acontecer mesmo após a votação, caso as investigações comprovem crime eleitoral.

A aprovação e a popularidade de Lula, entretanto, não estavam ligadas ao sistema político, como mostrou a eleição. A atuação do governo petista na área social foi fundamental para a reeleição.

Assim, o discurso da continuidade de um "governo para os mais necessitados" foi a grande bandeira da campanha. Programas como o Bolsa Família, o Prouni e o Luz para Todos foram exaustivamente aclamados no palanque petista.

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada em setembro mostrou que a pobreza no país diminuiu 19% na gestão Lula. Com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o levantamento mostra que a pobreza, que atingia 28,2% dos brasileiros em 2003, passou a englobar 22,77% em 2005 --ou 42,570 milhões de pessoas. Esse é o menor patamar desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1992.

Lula detém o recorde de avaliação positiva de um presidente da República. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no dia 25/10, 53% da população classifica como boa ou ótima a gestão de Lula. Outros 31% consideram o governo petista regular. A taxa dos que acham a atuação do presidente ruim ou péssima é de 15%.

Segundo turno

Segundo o Datafolha, o início do segundo turno indicava uma disputa apertada --no dia 6/10, o petista tinha 50%, contra 43% do tucano. No entanto, nas pesquisas seguintes, Lula só aumentou sua vantagem.

Em 10/10, Lula registrava 51%, enquanto Alckmin aparecia com 40%. Uma semana depois, a diferença subiu para 19 pontos percentuais: 57% a 38%. Em 24/10, a vantagem do petista subiu para 21 pontos: 58% a 37%.

Durante o primeiro turno, Lula vinha em ascendência, dando a entender que venceria sem necessidade de disputar o segundo turno, mas caiu nas últimas duas semanas da campanha. Especialistas apontaram o escândalo do dossiê e a ausência nos debates como as principais causas para a prolongação do pleito.

No final de junho (29/06), Lula tinha 46% das intenções de voto. Dois meses depois (29/08), seu índice chegou a 50%. Na véspera do pleito, em 30/09, Lula voltou ao patamar dos 46%.

Abertas as urnas do primeiro turno, Lula obteve 48,61% dos votos válidos (que excluem brancos e nulos), contra 41,64% de Alckmin. Para eliminar a necessidade de disputar o segundo turno, Lula precisaria obter mais de 50%.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 29/10/2006)

Sunday, October 29, 2006

Presidente do TSE anuncia vitória de Lula no 2º turno das eleições

ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Marco Aurélio Mello, anunciou por volta das 19h20 deste domingo a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.

"Os votos que faltam para serem totalizados não cobrem mais a diferença entre o primeiro e o segundo colocado, o que implica em dizer que o presidente Lula está reeleito", afirmou Mello.

Até as 19h32, com 91,54% das urnas apuradas, o petista tinha 60,67% dos votos (53.893.087), contra 39,33% (34.940.983) do tucano Geraldo Alckmin.

O presidente do TSE, que na manhã de hoje afirmou que votaria no candidato que iria vencer a eleição, se esquivou de comentar se acertou na sua previsão. Ele disse que o voto é secreto.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 29/10/2006)

Com mais de 51 mi de votos, Lula é reeleito presidente do Brasil

FELIPE NEVES
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 61, foi reeleito neste domingo, com 60,45% dos votos válidos, escolhido por mais de 51 milhões de eleitores. Isso é o que mostrava o resultado da apuração parcial divulgada às 19h20, quando 87,69% das urnas já haviam sido apuradas.

Lula venceu no segundo turno o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), 54, que recebeu mais de 33 milhões de votos (39,55%).

A vitória do petista confirma as pesquisas de intenção de voto. Durante toda a eleição, desde o primeiro turno, Lula aparecia em primeiro lugar. Pesquisa Datafolha, divulgada ontem, apontava a vitória de Lula com 61% dos votos válidos.

Ex-torneiro mecânico e primeiro líder de um partido de esquerda eleito presidente, Lula consegue igualar a façanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 1998, o tucano chegou ao segundo mandato consecutivo --foi o primeiro presidente a se beneficiar da reeleição no Brasil.

Houve uma diferença, porém. Ao contrário de Lula, FHC conseguiu a reeleição já primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos --escolhido por quase 36 milhões de eleitores.

Nestas eleições, além dos adversários, Lula teve que enfrentar uma verdadeira avalanche de crises políticas e de escândalos envolvendo o Congresso Nacional, membros de seu governo e dirigentes de seu partido, o PT. A mais recente crise estourou durante a campanha eleitoral e causou revolta na oposição: a tentativa de compra de um dossiê antitucano.

O episódio continua sendo investigado pela Polícia Federal e pela Justiça. Existe no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), inclusive, um processo de impugnação da candidatura do petista, que pode acontecer mesmo após a votação, caso as investigações comprovem crime eleitoral.

A aprovação e a popularidade de Lula, entretanto, não estavam ligadas ao sistema político, como mostrou a eleição. A atuação do governo petista na área social foi fundamental para a reeleição.

Assim, o discurso da continuidade de um "governo para os mais necessitados" foi a grande bandeira da campanha. Programas como o Bolsa Família, o Prouni e o Luz para Todos foram exaustivamente aclamados no palanque petista.

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada em setembro mostrou que a pobreza no país diminuiu 19% na gestão Lula. Com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o levantamento mostra que a pobreza, que atingia 28,2% dos brasileiros em 2003, passou a englobar 22,77% em 2005 --ou 42,570 milhões de pessoas. Esse é o menor patamar desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1992.

Lula detém o recorde de avaliação positiva de um presidente da República. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no dia 25/10, 53% da população classifica como boa ou ótima a gestão de Lula. Outros 31% consideram o governo petista regular. A taxa dos que acham a atuação do presidente ruim ou péssima é de 15%.

Segundo turno

Segundo o Datafolha, o início do segundo turno indicava uma disputa apertada --no dia 6/10, o petista tinha 50%, contra 43% do tucano. No entanto, nas pesquisas seguintes, Lula só aumentou sua vantagem.

Em 10/10, Lula registrava 51%, enquanto Alckmin aparecia com 40%. Uma semana depois, a diferença subiu para 19 pontos percentuais: 57% a 38%. Em 24/10, a vantagem do petista subiu para 21 pontos: 58% a 37%.

Durante o primeiro turno, Lula vinha em ascendência, dando a entender que venceria sem necessidade de disputar o segundo turno, mas caiu nas últimas duas semanas da campanha. Especialistas apontaram o escândalo do dossiê e a ausência nos debates como as principais causas para a prolongação do pleito.

No final de junho (29/06), Lula tinha 46% das intenções de voto. Dois meses depois (29/08), seu índice chegou a 50%. Na véspera do pleito, em 30/09, Lula voltou ao patamar dos 46%.

Abertas as urnas do primeiro turno, Lula obteve 48,61% dos votos válidos (que excluem brancos e nulos), contra 41,64% de Alckmin. Para eliminar a necessidade de disputar o segundo turno, Lula precisaria obter mais de 50%.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 29/10/2006)

Thursday, October 19, 2006

Lula sobe para 57% e abre vantagem de 19 pontos

Petista ganha pontos em todas as faixas de eleitores, especialmente no Sudeste

Evolução de Lula equivale a ter conquistado mais do que todos os votos obtidos por Heloísa Helena e Cristovam Buarque no primeiro turno


FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou de 11 para 19 pontos sua vantagem sobre o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida presidencial.
Segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem em todo o país, Lula tem agora 57% das intenções de voto, contra 38% de Alckmin, considerando o total de votos declarados em cada candidato.

Em uma semana, o petista subiu seis pontos, enquanto Alckmin oscilou negativamente dois -levando em conta a margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Lula ganhou vários pontos em praticamente todos os segmentos do eleitorado, seja na estratificação por renda, sexo, idade ou escolaridade. Mas o que mais contribuiu para abrir a atual dianteira foi seu desempenho no Sudeste, que concentra 44% dos eleitores do Brasil e, em menor escala, no Sul, com 15% dos eleitores.
Considerando os votos válidos, Lula subiu de 56% para 60%, enquanto Alckmin caiu de 44% para 40%. Vencerá a eleição no próximo dia 29 quem tiver mais de 50% dos votos válidos.

A distância entre os dois adversários nos votos válidos, que era de 12 pontos há uma semana, foi ampliada agora para 20 pontos. Na primeira pesquisa realizada depois do primeiro turno, no início deste mês, essa diferença era de só oito pontos.
Na prática, Lula tem hoje o mesmo patamar que o levou à vitória na eleição de 2002 contra o também tucano José Serra. Na época, Lula foi eleito com 61,3% dos votos válidos, enquanto Serra teve 38,7%.

Os 40% de Alckmin captados pela pesquisa estão bem próximo do total de votos válidos obtidos por ele no primeiro turno (41,64%). Já os 60% de Lula estão bem acima dos 48,61% que ele teve em 1º de outubro. Obviamente, não são os mesmos eleitores que migraram diretamente para o petista, mas a evolução de Lula equivale a ter conquistado mais do que todo o eleitorado que votou em Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) no primeiro turno. Juntos, os dois tiveram 9,49% dos votos válidos.

"A exemplo do primeiro turno, Lula tem a eleição nas mãos novamente. Só fatos muito contundentes o farão perder", afirma Mauro Paulino, diretor do Datafolha.
Dias antes do primeiro turno, Lula viu evaporar sua folga em relação a Alckmin por conta da crise provocada pela compra de um dossiê por petistas contra adversários tucanos.

Em termos quantitativos, o maior crescimento de Lula ocorreu no Sudeste. O petista subiu sete pontos na região com mais eleitores no país, enquanto Alckmin caiu quatro.
Há uma semana, os dois estavam empatados no Sudeste com 45% das intenções de voto cada. Agora, Lula tem 52% e o tucano, 41%. Lula também subiu cinco pontos no Sul (para 43%), enquanto Alckmin perdeu quatro (passando a 50%).

Entre os eleitores com até o ensino fundamental (cerca de 50% do eleitorado do país), Lula ganhou mais seis pontos, passando a 63%. Alckmin oscilou negativamente dois, para 32%. Houve ainda ganhos entre os eleitores com ensino médio e superior.
Lula também ganhou pontos acima da margem de erro do levantamento entre os eleitores de todas as faixas de renda. Seu melhor desempenho foi entre os que recebem entre 2 e 5 salários mínimos, onde subiu oito pontos, enquanto Alckmin perdeu quatro.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 18/10/2006)

FHC defende privatizações e diz que não é contra venda da Petrobras

da Folha Online

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta terça-feira os resultados dos processos de privatização realizados durante o seu governo e afirmou não ser contra a privatização da Petrobras.

O líder tucano afirmou que é demagogia do PT afirmar que um eventual governo de Geraldo Alckmin venderia o controle da empresa. FHC afirmou que "ninguém vai privatizar" a gigante estatal do petróleo, mas em seguida deixou escapar a frase "não sou contra a privatização da Petrobras".

"A Petrobras tem que ser outra coisa. Uma empresa pública, e não o que está sendo, usada para fins políticos. O Banco do Brasil tem de ser uma empresa pública, não para ser usado no Valerioduto. Você tem aí empresas que devem ser do governo, mas não devem ser usadas por um partido. E empresas que não têm sentido estarem no governo, que devem ser privatizadas", disse o ex-presidente em entrevista à "Rádio CBN".

FHC se corrigiu depois e divulgou nota informando que foi mal interpretado e que é contra a pritvatização da Petrobras.

FHC toca em um ponto sensível para a candidatura de Geraldo Alckmin. Desde o início da campanha neste segundo turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, tem explorado o fato dos governos tucanos terem sido responsáveis pela venda de patrimônio público, tanto da União quanto nos Estados.

Alckmin tem se esforçado para mostrar que não pretende realizar nenhuma privatização em um possível governo. No entanto, para FHC, o debate acerca das privatizações é arcaico, porque o que foi feito funcionou e não haveria contexto para novos processos.

"Agora, está havendo uma discussão arcaica: se deve haver privatização ou não. É claro que já houve privatização, taí, funcionou. Em outros setores, não pode haver privatização. Isso depende de circunstâncias", comentou.

FHC afirmou que se os bancos estaduais não tivessem sido privatizados, o país estaria envolvido "na inflação e na corrupção". Em seguida, citou o caso da telefonia, que, segundo ele, só expandiu o atendimento porque foi privatizada, e da Companhia Vale do Rio Doce.

De acordo com o ex-presidente, a crítica ao valor de venda da Vale deveria ser desconsiderada, porque ninguém à época queria comprar a companhia. "[A Vale] multiplicou o seu valor por dez, não porque ele valesse dez na época. Ninguém queria comprar, foi uma dificuldade alguém comprar", disse.

Lula

Fernando Henrique voltou a se dizer decepcionado com o presidente Lula. O sociólogo e ex-presidente classificou como "uma perda histórica" uma liderança "que nasceu contra tudo que havia de podre no sindicalismo, se transformar num político qualquer".

"Ele está assassinando o símbolo que ele representa pela incapacidade de entender seu momento de grandeza na história", avaliou FHC. "Não era só de ganhar a eleição. Você pode ganhar eleição de qualquer maneira, mas ganhar eleição se igualando ao que há de mais atrasado na política brasileira?"

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 17/10/2006)

Vantagem de Lula sobre Alckmin é de 12 pontos, diz pesquisa Ibope

da Folha Online

A primeira pesquisa Ibope realizada após o debate na TV entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), no último domingo, indica que a vantagem do candidato petista sobre o adversário tucano é de 12 pontos.

A taxa de intenção de voto em Lula ficou em 52%. Já a taxa de intenção de voto em Alckmin foi de 40%.

Considerando apenas os votos válidos --que exclui brancos, nulos e indecisos--, o candidato do PT à reeleição tem 57% contra 43% do tucano.

O Ibope entrevistou 3.010 eleitores em 199 municípios entre terça-feira e ontem. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Datafolha

Pesquisa Datafolha publicada ontem indica que a taxa de intenção de voto em Lula oscilou de 50% para 51%. Já Alckmin caiu três pontos, de 43% para 40%, em relação a pesquisa anterior publicada no último dia 6.

Considerando apenas os votos válidos, excluindo brancos e nulos, o candidato do PT à reeleição tem 56% contra 44% do ex-governador de São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para mais ou para menos.

O Datafolha entrevistou 2.868 eleitores em 194 municípios de 25 Estados. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 21.972/2006.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 12/10/2006)

Questão sobre o PCC fez Alckmin parar entrevista a TV australiana

da Folha de S.Paulo

Vídeo disponível na internet mostra que o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, ficou irritado e interrompeu uma entrevista para o programa "Dateline", do canal australiano SBS, ao ser questionado sobre a reação de "grupos de extermínio" aos ataques do PCC, em maio.

Irritado com a pergunta, Alckmin disse: "Esse é um problema do governo estadual. Você deveria ir falar com eles". Levantando-se da mesa, continuou: "Se eu soubesse que era sobre isso, não tinha entrevista. Não faz o menor sentido".

A reportagem, que pode ser vista no site http://www.youtube.com/watch?v=vsRynm18_Eg, foi produzida pouco depois dos primeiros ataques do PCC, em maio, quando Alckmin já havia sido escolhido pelo PSDB como pré-candidato à Presidência. A assessoria de Alckmin afirmou que o vídeo foi editado fora do contexto em que a entrevista foi concedida.

Surpreendido pelo resultado da pesquisa Datafolha, o comando da campanha de Alckmin atribuiu a queda ao efeito do "terrorismo eleitoral" do PT. A avaliação é que "boatos" lançados pelo PT atingem diversos extratos da sociedade, especialmente a ameaça de uma onda de privatizações e do fim do Bolsa Família.

Além disso, há preocupação com rumores específicos a determinadas regiões. Em resposta, será feita uma panfletagem "antiboataria".

Foram feitas 15 mil cartas para serem distribuídas em universidades e cursinhos pré-vestibular no Distrito Federal. A campanha desmente que Alckmin pretenda reduzir o número de concursos públicos. Outros 180 mil panfletos foram direcionados ao Amazonas, informando que o tucano não tem planos de desmontar a zona Franca de Manaus.

"O país está sendo tomado por boatos mentirosos. Trata-se de um verdadeiro terrorismo eleitoral, de uma tentativa desesperada de criar uma atmosfera de medo", disse o senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice na chapa de Alckmin.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 12/10/2006)

Lula diz que Alckmin se comportou como "delegado de porta de cadeia"

ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva --candidato do PT à reeleição-- disse nesta segunda-feira que ontem foi o dia mais triste da sua vida política, em referência ao debate com o seu adversário no segundo turno, o tucano Geraldo Alckmin, promovido pela TV Bandeirantes.

Lula disse que Alckmin, a quem chamou de "cidadão do samba de uma nota só", se comportou como um "delegado de porta de cadeia" e destacou que este foi o pior nível de debate que participou em sua vida política, indicando que Alckmin não tem qualificação para enfrentá-lo. A expressão também pode ser uma variação em torno do dito popular "advogado de porta de cadeia", de caráter pejorativo.

"Eu já debati com Ulisses Guimarães,[Leonel] Brizola, Mário Covas, Aureliano Chaves, Afif Domingos, [Fernando] Collor, Ciro Gomes, [Anthony] Garotinho, com o Jânio Quadros e o Franco Montoro. Tinha um nível político assimilado no debate. Ontem, eu pensei que não estava na frente de um candidato, eu pensei que estava na frente de um delegado de porta de cadeia. Confesso a vocês que foi triste para mim e para a minha mulher", afirmou Lula.

Arrogância

Lula disse que seu adversário se comportou como "arrogante, pedante, que fala com o nariz em pé, como se tivesse mais autoridade que os outros". "Espero que tenha muito mais debate para que a gente possa evoluir", rogou.

O presidente, que hoje recebeu no Palácio da Alvorada o apoio de cantores gospel, entre eles Mara Maravilha e Wanderley Cardoso, disse que esperava um debate de idéias no debate de ontem.

"O povo não quer um candidato xingando o outro, quer saber o que será feito para melhorar sua vida", disse o presidente.

Punições

O presidente respondeu as críticas dos tucanos e pefelistas de que ele não tomou atitudes contra os envolvidos no seu governo em irregularidades.

"O presidente da República não pune, ele exonera, quem tem que punir é a Justiça", disse. Lula comparou Alckmin a uma "velha sanfona quebrada que só faz o mesmo som", ao referir-se à insistência do tucano no debate em temas de corrupção.

Elite

O presidente acusou Alckmin de ser o candidato das elites e se comparou aos ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, que, segundo Lula, foram perseguidos porque trabalharam para os mais pobres.

"Ontem, vocês viram um pouco da elite política. Ela é implacável. Não se meta em fazer coisas para os pobres que você vai pagar o preço", disse.

"Para eles, pobre tem que ser coadjuvante, tem que bater palma. Nós colocamos pobre no palanque", acrescentou.

Lula disse que seu adversário não tem programa para o país e que, por isso, "pegou tudo o que é matéria de jornal e tentou transformar no programa dele".

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 09/10/2006)

Acusações e ataques dominam debate entre Alckmin e Lula na TV

da Folha Online

O telespectador assistiu neste domingo ao debate televisivo mais aguerrido desde o início da campanha eleitoral, com troca de ataques mútuos do primeiro até o último minuto das cerca de duas horas e meia destinadas pela TV Bandeirantes para o confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

O tucano diferiu do que os eleitores estão acostumados a ver e adotou uma postura mais acalorada em suas críticas, não perdendo chances de atacar o governo Lula nos campos da ética ou da gestão pública.

Lula, por sua vez, não se manteve na defensiva. Distribuiu seus ataques ora ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ora à gestão de Alckmin no Estado de São Paulo, com menções a escândalos políticos de um e de outro.

Os dois primeiros blocos foram quase que totalmente dedicados à "lavagem de roupa suja". Ambos os candidatos passaram em revista os escândalos políticos que vieram à tona nos últimos meses.

Alckmin perguntou para Lula qual a origem do R$ 1,7 milhão que seria utilizado para a compra de um dossiê contra políticos tucanos. Lula questionou o tucano sobre os 69 pedidos de CPIs estacionados na Assembléia Legislativa de São Paulo.

O ex-governador de São Paulo, no entanto, quase não mencionou o escândalo do "mensalão", enquanto Lula não se aprofundou nas denúncias que surgiram contra a gestão tucana no Estado.

Corrupção

A primeira pergunta feita por jornalistas aos presidenciáveis no debate da Rede Bandeirantes foi dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT.

Lula foi questionado se sabia ou não da participação de membros do primeiro escalão de seu governo em escândalos de corrupção como o mensalão e a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e afirmou que casos de corrupção anteriores ao seu governo eram jogados para debaixo do tapete.

"É exatamente por isso que eu quero ser reeleito, porque eu tenho certeza de quando souber, punirei. O problema é que durante muitos e muitos anos neste país ninguém sabia porque as coisas não aconteciam. Porque tinha corrupção, jogava embaixo do tapete."

Lula afirmou também que perdeu muitos "companheiros" por conta dos escândalos de corrupção e vai perder quantos precisar. "Eu perdi companheiros de muito tempo e vou perder, se precisar, quantos for necessário, do meu partido ou de outros partidos políticos, porque quando a gente indica uma pessoa para ocupar um cargo, a gente espera que aquela pessoa cumpra o compromisso com a sociedade", disse.

O petista voltou a usar metáforas familiares para explicar o desconhecimento de membros de seu governo nos casos de corrupção. "Quantas vezes você está na cozinha, acontece uma coisa dentro da sala com seu filho e você não sabe? Fica sabendo depois", disse.

Segundo ele, "a lógica da ética não é você saber antes, porque se você souber, não acontece. A lógica da ética é você punir quando acontece. É você não acobertar, é você investigar, é você permitir que as instituições possam trabalhar livremente e isto eu tenho muito orgulho, muito orgulho de não ter vacilado um minuto em fiscalizar, investigar", disse.

Ao comentar o tema, o candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, afirmou que Lula não responde questões importantes.

"Veja os telespectadores que o Lula, arrogante esse tempo todo, quando chegam questões importantes, que visam direto a questão de princípios e valores, ele não responde. A questão do mensalão foi feita dentro do Palácio do Planalto, no terceiro andar, pelo seu ministro chefe da Casa Civil. Não são fatos isolados Lula, não são fatos isolados, mas é uma lista telefônica de corrupção", disse.

O "mentiroso" contra o "leviano"

O tom beligerante entre os dois candidatos, no entanto, se manteve controlado e somente em um momento resvalou para a crítica pessoal.

No primeiro bloco, os ânimos se exaltaram quando o tucano Geraldo Alckmin questionou o petista Luiz Inácio Lula da Silva sobre os gastos do governo federal com o cartão de crédito corporativo --uma espécie de cartão de crédito pago com recursos públicos.

"Não seja leviano, não seja leviano, pergunte isso ao FHC [ex-presidente Fernando Henrique Cardoso]", disse o petista.

"Respeito, respeito", retrucou o tucano com o dedo apontado para Lula.

O uso dos cartões de crédito corporativos foi autorizado na administração pública ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

No segundo bloco, Lula questionou Alckmin sobre as as privatizações realizadas durante o governo de FHC, o que motivou o segundo momento mais acirrado da noite.

"Todo mundo sabe que o PFL e o PSDB que privatizaram esse país. Quando não tiver mais o que vender, o que ele vai fazer? Vai vender a Amazônia? Só posso responder aquilo que eu sei. Não disse que o governador vai privatizar, disse que há setores do PFL e PSDB que querem privatizar até a Petrobras", afirmou o presidente.

"Não minta, Lula. Não foi o PSDB nem o PFL que falaram em privatização, foi você que falou. Fico triste com a irresponsabilidade de um presidente da República ter dito isso. Foi você que falou e vou distribuir isso à imprensa no fim do debate. É mentira que vou acabar com o Bolsa Família", rebateu Alckmin. A insinuação de "mentiroso" motivou o comitê petista a pedir direito de resposta, mas que foi negado pela produção da "TV Bandeirantes".

Propostas

O debate de propostas para o país somente começou, realmente, no terceiro bloco do debate promovido pela "Bandeirantes". Os ataques mútuos, entretanto, não saíram de cena, em um confronto que continuou acalorado.

O presidente e candidato Lula questionou Alckmin pelos problemas de segurança pública em São Paulo, lembrando os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Alckmin respondeu citando números sobre redução de homicídios e dizendo que o governo federal cortou recursos nos repasses para os Estados na área de segurança. Lula replicou, dizendo que, quando governador, Alckmin havia cortado as verbas para inteligência policial no Estado.

"Você cortou dinheiro da segurança pública. Há uma contradição entre os números que você decorou para esse debate e a realidade do Estado de São Paulo", disse Lula.

"Essa é uma questão nacional [segurança pública]. Eu não vou me omitir, jogando a culpa nos governadores", afirmou Alckmin, afirmando que em todos os Estados há problemas de segurança pública.

Lula trouxe o governo FHC para a arena quando mencionou a crise energética de 1999 (o "apagão"). Ele questionou Alckmin sobre suas propostas para o setor.

Alckmin minimizou o tema e disse que "houve um problema de falta de energia por questões hídricas. Por falta de chuva".

Pouco antes, o candidato tucano havia criticado duramente a política externa do governo Lula, a qual considerou um "fracasso". "[Vaga no] Conselho de segurança na ONU, perdeu. Diretoria da OMC [Organização Mundial do Comércio], perdeu. Com a Bolívia, o Brasil foi humilhado, os ativos da Petrobras foram expropriados", acusou.

Lula respondeu que a política externa brasileira é "ousada". "É uma política que fez o Brasil deixar de depender de dois blocos: Europa e Estados Unidos", disse, justificando que o trato com a Bolívia foi na base do diálogo, pois "a América Latina é o maior centro comercial brasileiro". "Se tem uma coisa que o Brasil tem de correto, e que você deveria reconhecer, é a política externa", revidou.

Ataques até o fim

Os ataques mútuos não cessaram nem no último dos cinco blocos do debate. Nas considerações finais, Lula fez a defesa da continuidade, dizendo que os "alicerces" do desenvolvimento já estavam prontos, mas que faltava o "madeiramento" e o "teto".

Alckmin retomou a crítica feita ainda no primeiro minuto do debate: ele havia participado de todos os outros confrontos entre os candidatos, enquanto Lula se ausentou. Também bateu na tecla de que o PT "já teve sua chance" e encerrou sua participação criticando o estado dos hospitais federais.

Pouco antes, Lula havia questionado Alckmin sobre a qualidade das escolas paulistas e da existência de "escolas de lata" no Estado. "O Estado de São Paulo não aceitou fazer o Prova Brasil por medo", alfinetou Lula. O tucano rebateu dizendo que o Estado não tinha mais "escolas de lata" mas "projeto Nakamura" --que usa estrutura metálica no telhado e tem vedação de chapas de aço e madeira.

Audiência

A TV Bandeirantes informou que o debate entre os dois candidatos rendeu 14,2 pontos de audiência, na média apurada pelo instituto Ibope, em sua medição prévia. Nos momentos de pico, a emissora chegou aos 20 pontos, mas não o suficiente para atingir a liderança do horário. A TV Bandeirantes ainda chegou ao segundo lugar, mas somente por alguns minutos e revezando-se com o SBT.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 08/10/2006)

Êxito de Alckmin azeda plano do tucanato

MÔNICA BERGAMO
colunista da Folha de S.Paulo

A passagem de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) para o segundo turno das eleições presidenciais implodiu um acordo informal que já estava sendo firmado entre lideranças do PSDB e o presidente Lula e ameaça levar de roldão as pretensões presidenciais de duas das maiores figuras do partido: José Serra, governador eleito de São Paulo, e Aécio Neves, de Mina Gerais.

Caso Lula tivesse liquidado a fatura no primeiro turno, Alckmin estaria lambendo (sozinho) as feridas da derrota. Serra e Aécio seriam hoje os principais candidatos à sucessão do petista. E, até segunda ordem, os únicos: nas conversas com Aécio, antes do primeiro turno, Lula chegou a dizer que, com a derrota de Aloizio Mercadante ao governo de SP, o PT não teria candidato competitivo à Presidência em 2010.

Em conversa com amigos, em setembro, quando as pesquisas indicavam que poderia ser eleito em primeiro turno, Lula disse: "As pessoas vêm me falar de Serra e Aécio. Quem disse que um deles não pode estar no nosso palanque em 2010? Ou que eu não posso estar no palanque de um deles?".

A missão de dialogar com Serra era do ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça. Os dois tiveram vários encontros nos últimos meses em SP.

"O PT não dará trégua"

Em palestra para banqueiros, pela qual recebeu R$ 15 mil, o ex-ministro Antônio Palocci detalhou, em setembro, o acordo informal: os tucanos ajudariam Lula a aprovar reformas no Congresso. Em troca, teriam atendidos seus pleitos junto ao governo federal.

A possibilidade de vitória de Alckmin explode tudo. Em primeiro lugar, tirou Lula da posição de "amigo", como ele se referia a Serra e Aécio: para vencer as eleições, o presidente começou a atacar não só Alckmin mas todo o PSDB. E convocou dois possíveis presidenciáveis, que andavam sumidos, para a sua "tropa de choque": Marta Suplicy e Ciro Gomes.

Caso Alckmin vença as eleições, o quadro muda ainda mais: dez entre dez tucanos duvidam que ele abra mão de concorrer à reeleição. De dois, o número de presidenciáveis de 2010 pula para pelo menos quatro: Alckmin, Serra e Aécio, pelo PSDB, e o próprio Lula, como candidato de oposição.

Em jantar com empresários em SP, na semana passada, um dos deputados mais influentes do PT afirmou: "Vamos ser claros. Existia um acordo entre nós [PT] e o PSDB: o próximo governo era do Lula. O de 2010, do Serra ou do Aécio, sem problemas. Com Alckmin, o acordo será rompido. E Alckmin vai ter derrotado o Serra, o Aécio, o FHC, o Lula, todo mundo".

De acordo com o parlamentar, "o Alckmin, se eleito, não vai governar" porque PT, MST e CUT "não vão dar trégua".

"Não é possível"

Amigos íntimos e políticos do grupo de Serra no PSDB e no PFL mal disfarçam o desconforto com a possibilidade de Alckmin vencer as eleições.

Dias antes do primeiro turno, no coquetel do debate que a TV Globo promoveu entre os candidatos ao governo de SP, um dos políticos de maior destaque no Estado, muito próximo de Serra, fez cara de enterro ao receber a notícia de que pesquisas telefônicas indicavam que haveria segundo turno.

"Não é possível! Quem te falou?", perguntou o político à Folha. Depois, chegou a cochichar com a colunista: "Ele [Alckmin] não vai passar [para o segundo turno]. Não é possível, não vai dar tempo."

De acordo com um político do PFL paulista, a vitória de Alckmin vai fazer com que a disputa, no PSDB, "vire uma briga de foice no escuro". O mais irônico é que tanto Serra quanto Aécio, pressionados por Alckmin e sobretudo pelos eleitores tucanos que querem Lula fora do Planalto, devem se engajar agora na campanha.

Tucanos ouvidos oficialmente pela Folha negam que a vitória de Alckmin desagrade setores do PSDB. "Isso não existe. Não há um só tucano que esteja a favor da vitória do Lula. Há situações históricas em que o bem do país está acima de interesses pessoais", diz o ex-ministro Paulo Renato de Souza.

A vitória de Alckmin estava fora também dos planos de Fernando Henrique Cardoso, que já se preparava para ser o porta-voz da oposição a Lula.

FHC nunca escondeu que preferia ver Serra candidato à Presidência. Ele só decidiu apoiar Alckmin quando ouviu de especialistas como Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, que Lula era um candidato "quase invencível". A um interlocutor, FHC foi claro: "Vamos colocar o Alckmin para perder. E preservar o Serra para 2010".

Entre amigos íntimos, FHC, celebrado pelo bom humor e por perder o amigo, jamais a piada, chegou a dizer, em março, que a derrota de Alckmin obrigaria os tucanos a comprarem uma butique para a filha dele se ocupar. Sophia, filha de Alckmin, já trabalhou na Daslu.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 08/10/2006)

Lula lidera com 50% das intenções de votos; Alckmin tem 43%, diz Datafolha

da Folha Online

A primeira pesquisa Datafolha sobre a disputa pela Presidência no segundo turno mostra que o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, tem 50% das intenções de voto. Seu adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), conta com 43%.

Considerando apenas os votos válidos, ou seja, excluindo os brancos e nulos, Lula tem 54% e Alckmin 46%.

O Datafolha também apurou que entre os eleitores que declaram ter votado em Heloísa Helena (PSOL) no primeiro turno, 48% dizem que pretendem votar em Alckmin no próximo dia 29.

Lula é o preferido de 32% dos eleitores da candidata do PSOL, que não vai apoiar nenhum candidato no 2º turno. Já os eleitores de Cristovam Buarque (PDT), estão divididos: 39% dizem que vão votar no petista à reeleição e percentual idêntico afirma que vai votar no tucano.

Regiões

Entre os eleitores do Nordeste, Lula tem 67% das intenções de voto, 39 pontos à frente de Geraldo Alckmin, que obtém 28%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste o resultado é similar. O candidato petista tem 50% e o tucano 44%.

No Sul, Alckmin está 24 pontos à frente de Lula (57% a 33%). Já no Sudeste ocorre um empate dentro da margem de erro --47% para o peessedebista, 45% o petista.

A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo, e divulgada pelo "Jornal Nacional". A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O Datafolha ouviu 5.811 eleitores em 368 cidades entre ontem e hoje. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Leia a pesquisa completa na edição deste sábado da Folha de S.Paulo (só para assinantes).

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 06/10/2006)

PT expulsa envolvidos em "dossiêgate"; Marco Aurélio assume presidência

FELIPE NEVES
da Folha Online

A Executiva nacional do PT decidiu nesta sexta-feira pela expulsão de quatro envolvidos no chamado "dossiêgate": Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti, Hamilton Lacerda e Expedito Veloso. O partido também decidiu por colocar Marco Aurélio Garcia na presidência, após o pedido de licença do cargo encaminhado hoje por Ricardo Berzoini.

Valdebran Padilha, detido em São Paulo com R$ 1,7 milhão que seria utilizado para a compra do dossiê, já havia sido suspenso pelo PT de Cuiabá (MT).

"Os filiados que assim agiram [no episódio do dossiê] colocaram-se, na prática, fora do partido. E, por decisão da Executiva nacional, estão politicamente expulsos do PT", disse Marco Aurélio.

Lorenzetti e Lacerda haviam encaminhado antes da reunião da Executiva seus pedidos de desfiliação do partido.

Lacerda era coordenador de comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. A Polícia Federal acredita que ele tenha sido o responsável por levar os R$ 1,7 milhão que seriam usados para a compra do dossiê ao hotel onde estavam Valdebran Padilha e Gedimar Passos --advogado e ex-policial federal.

Já Lorenzetti coordenava o "núcleo de informações" da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Teria sido ele quem negociou com o empresário Luiz Antonio Vedoin, dono da Planan e um dos chefes da máfia dos sanguessugas, a entrega do dossiê. Em depoimento à PF, Lorenzetti afirmou que prometeu auxílio jurídico a Vedoin.

Bargas foi secretário no Ministério do Trabalho durante a gestão Berzoini e ocupava o cargo de coordenador de programa de governo da campanha do PT à Presidência. Procurou a imprensa para oferecer o dossiê.

O ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Afonso Veloso foi acusado de envolvimento com o caso após Valdebran ter dito que havia recebido parte do dinheiro de uma pessoa chamada "Expedito". Ele teria participado da operação de montagem e divulgação do documento.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 06/10/2006)

Com Lula, Cabral cede a Crivella e retira projeto sobre casamento gay

da Folha de S.Paulo, em Brasília

O candidato do PMDB ao governo do Estado do Rio, Sérgio Cabral, retirou ontem, "em caráter definitivo", a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 70) que previa o reconhecimento da união estável de pessoas do mesmo sexo. O senador Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal, disse que essa foi uma das condições que impôs para apoiá-lo no segundo turno. Cabral nega.

"Sérgio Cabral aceitou minha ponderação. Isso é um princípio fundamental tanto da Igreja Católica quanto da evangélica, que são a maioria no Rio. Pedi a ele que revisse a posição e ele o fez. Assinou requerimento retirando o projeto, e achei isso um gesto muito importante", afirmou o senador do PRB.

A página do Senado na internet informa que Sérgio Cabral, por meio do requerimento 1.023 de 2006, solicitou ontem "a retirada, em caráter definitivo da matéria de sua tramitação". A PEC vai ao arquivo.

Ontem, Cabral foi ao Palácio do Alvorada, onde recebeu apoio do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. O peemedebista é afilhado político do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, que apóia Geraldo Alckmin (PSDB). Crivella e o atual vice-governador do Rio, Luiz Paulo Conde, estiveram no evento.

Terceiro colocado na eleição, com 18,5% dos votos, Crivella fez campanha para o presidente Lula e, no encontro em Brasília, declarou voto em Cabral. Antes ele havia prometido apoio a Denise Frossard (PPS) no segundo turno e chegou a se irritar ao ver Lula anunciar seu apoio ao candidato do PMDB antes de ele fazê-lo.

Panfletos

No primeiro turno, Cabral foi alvo de panfletos apócrifos que mostravam um casal de homens se beijando na boca e afirmava que Cabral tinha feito lei a favor do casamento gay.

Crivella confirmou que a medida foi uma condição para seu apoio a Cabral no segundo turno: "Fez parte, sim, do acordo. Disse a ele que o acordo seria por princípios e propostas".

Sérgio Cabral negou ter retirado o projeto a pedido de Crivella e disse que foi uma retirada provisória, ao contrário do que informa a página do Senado na internet. "Não [retirei a PEC como parte do acordo para receber apoio de Crivella], de maneira nenhuma", afirmou.

"Vou dar uma revisada no projeto, chegar a um acordo. Há uma proposta de fazer uma consulta pública, um plebiscito, que o senador Camata já vinha apresentando, junto com o voto obrigatório, com cinco pontos importantes. Então, vou dar uma revisada nisso, talvez fazer um novo projeto, na linha do plebiscito."

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 06/10/2006)

PF não acha indícios de ligação de Freud Godoy com o dossiê

FÁBIO VICTOR
da Folha de S.Paulo
LEONARDO SOUZA
enviado especial da Folha de S.Paulo a Cuiabá


Pelas informações de que dispõe até agora, a Polícia Federal não reúne indícios do envolvimento do ex-assessor da Presidência Freud Godoy na compra, por petistas, de um dossiê contra tucanos. Caso o inquérito fosse encerrado hoje, a PF não indiciaria Freud.

Até mesmo o procurador da República Mário Lúcio Avelar, que pediu duas vezes a prisão temporária de Freud, compartilha agora da tese dos policiais. Segundo a Folha apurou, após o segundo depoimento de Freud à PF, na última sexta-feira, Avelar revelou que não encontrou até agora elementos para acreditar na participação do ex-assessor de Lula.

Disse ainda que, caso a Justiça não cassasse o mandado de prisão contra Freud antes da restrição da lei eleitoral que impediu que a decisão fosse cumprida na semana passada, ele mesmo o solicitaria.

Não precisou. Na última sexta, liminar do juiz do TRF da 1ª Região Tourinho Neto cassou a ordem de prisão temporária de Freud e dos outros cinco petistas envolvidos com o caso --todas a pedido do procurador.

A única ligação de Freud com o caso é a mesma do início: em depoimento à PF, Gedimar Passos, um dos petistas presos com o R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê, disse que o pagamento teria sido feito "a mando de uma pessoa chamada Froude ou Freud".

O que a PF descobriu nas investigações até aqui bate com os dois depoimentos de Freud, o primeiro deles espontâneo. A perícia nos celulares de Gedimar e de Valdebran Padilha foi concluída, e revelou telefonemas entre o primeiro e o ex-assessor da Presidência, mas todos os contatos foram em agosto, mês em que a empresa da mulher de Freud prestou serviços de varredura antigrampos telefônicos no comitê de reeleição de Lula e na sede do diretório nacional do PT, em Brasília.

Ao depor, o próprio Freud admitiu os contatos com Gedimar para tratar dos serviços. Os dados que surgiram da quebra do sigilo dos telefones apreendidos tampouco comprometem Freud até o momento, mas esta parte da investigação não está encerrada.

Segundo a PF, o fato de não haver até agora elementos consistentes contra Freud não o inocenta ainda no caso, pois a investigação continua. Caso surja algo que o comprometa, ele poderá voltar a depor e ter sua prisão solicitada de novo.

A PF não sabe responder com clareza por que Gedimar teria citado o nome do ex-assessor de Lula. Policiais envolvidos na investigação não crêem, como alguns petistas, que Freud tenha sido apenas um bode expiatório, para que Gedimar não fosse abandonado pelo PT numa hora de fraqueza.

Acham que a menção a Freud não foi à toa. Mas, dada a ausência de provas contra o ex-assessor, são obrigados a admitir que o pedido de prisão contra ele não tem consistência.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 04/10/2006)

Cabral declara apoio a Lula; casal Garotinho opta por Alckmin

O candidato do PMDB ao governo do Rio de Janeiro, senador Sérgio Cabral (PMDB), declarou nesta terça-feira seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

O peemedebista disputa o segundo turno das eleições no Rio com Denise Frossard (PPS) --que apóia a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência.

Já em São Paulo, na tarde de hoje, a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), e o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) oficializam o apoio à candidatura do tucano no segundo turno da campanha eleitoral.

O principal alvo dos assédios dos presidenciáveis é o PMDB, que deve eleger o maior número de governadores e deputados do país, além de uma bancada de peso no Senado.

No entanto, o PMDB é um partido dividido. Parte dele, a chamada ala independente --liderada pelo presidente do partido, Michel Temer (SP)--, deve apoiar Alckmin. Já a ala de Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP) deve apoiar Lula.

O presidente sinalizou ontem que deve apoiar Sérgio Cabral no segundo turno da campanha pelo governo do Rio. No primeiro turno, Cabral era apoiado por Rosinha e Garotinho, que agora vão aderir à campanha de Alckmin.

Por telefone

Entre ontem e hoje, Lula disparou telefonemas até mesmo para adversários. O petista cumprimentou, por telefone, os tucanos José Serra, eleito governador de São Paulo, e Aécio Neves, reeleito governador de Minas Gerais.

Em São Paulo, Lula perdeu a eleição para Alckmin. O tucano teve 54,20% dos votos no Estado, ante 36,77% de Lula. Já em Minas Gerais, Lula teve 50,8% e Alckmin, 40,67%.

Na lista de Lula, ainda constam telefonemas para o governador eleito do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), Binho Marques (PT), que se elegeu governador do Acre; além dos petistas Wellington Dias, reeleito governador do Piauí, e Marcelo Déda, que irá comandar Sergipe a partir de 2007. Cid Gomes (PSB), eleito governador do Ceará, também recebeu os cumprimentos do presidente.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 03/10/2006)

Sunday, October 01, 2006

Boca-de-urna indica que Lula tem 50% dos votos e eleição pode ir ao 2º turno

Pesquisa Ibope de boca-de-urna divulgada neste domingo indica que a eleição presidencial pode ir para o segundo turno. De acordo com a pesquisa, o petista Luiz Inácio Lula da Silva tem 50% dos votos válidos --excluindo brancos, nulos e indecisos. Esse é o mesmo percentual dos adversários.

Ele é seguido pelo tucano Geraldo Alckmin, com 38% dos votos válidos.

Esse cenário já havia sido identificado nas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem à noite. Na pesquisa Datafolha, Lula aparecia com 50% dos votos válidos --mesmo percentual obtido pelos demais adversários.

Considerando a margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos, o percentual de votos válidos de Lula varia de 48% a 52% --na taxa mínima, a eleição iria para o segundo turno.

Para ser eleito no primeiro turno, um candidato precisa ter mais da metade dos votos válidos, que excluem os brancos, nulos e os indecisos.

De acordo com a pesquisa de boca-de-urna divulgada hoje, Heloísa Helena (PSOL), aparece em terceiro lugar, com 8% dos votos válidos. Cristovam Buarque (PDT) tem 3% dos votos válidos. Ana Maria Rangel, do PRP, tem 1%.

A pesquisa ouviu 60.300 eleitores de 445 municípios. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 01/10/2006)

TSE espera apurar 90% dos votos, "ou mais" até a meia-noite

BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém a expectativa de, até a meia-noite de hoje, ter 90% " ou mais " dos votos apurados em todo o país. O diretor-geral, Athayde Fontoura, foi, entretanto, evasivo quanto à possibilidade de uma definição se haverá ou não segundo turno, na eleição para presidente da República. " Esperemos ter condições de poder avaliar isso, até lá " , afirmou.

O corregedor-geral eleitoral, ministro Asford Rocha, reiterou que as eleições transcorreram em clima de tranquilidade. " Os percalços foram mínimos " , disse ele, complementando que foram reduzidos os números de urnas quebradas e também de prisões.

Os dados do TSE apontaram 24 prisões por crime eleitoral, em todo o país, até as 14h30, embora tenham ficado de fora os Estados do Acre, Paraíba e Piauí, que não prestaram informações.

Segundo Rocha, o número de prisões é 40% menor do que as efetuadas no pleito de 2002. O ministro também citou que diminuiu o número de urnas com eletrônicas com defeito.

Por volta das 16h50, o TSE registrava 2.720 urnas trocadas, o que representava 0,75% das 361.431 totais. Em 2002 foram trocadas 5.719 urnas ou 1,41% do total que estava em funcionamento.

O secretário de Tecnologia do TSE, Giuseppe Gianino, explicou ser normal as urnas mais antigas apresentarem problemas, " como qualquer computador " . Segundo ele, é baixa a relação entre a quantidade de eleitores e problemas nas urnas. " As panes têm mais relação com a idade dos equipamentos " , afirmou.

(Azelma Rodrigues/Valor Online)

FONTE: UOL(Texto do dia 01/10/2006)

Lula culpa PT por ‘derrapagem na última curva’

Um auxiliar de Lula discou para o apartamento dele em São Bernardo na noite passada. Veio ao telefone um presidente irascível. Acabara de assistir ao Jornal Nacional. Mostrava inconformidade com o resultado das pesquisas Ibope e Datafolha. Culpou o PT pelas adversidades que arrosta nesta fase final da eleição.

Como de hábito, Lula expressou-se por metáforas. Inovou. Em vez das translações futebolísticas, que costuma preferir, recorreu a imagens automobilísticas. “A gente dá 50 voltas no autódromo, conduz o carro com todo o cuidado, abre uma enorme vantagem sobre os adversários e, na última curva, vem o nosso próprio pessoal e joga óleo na pista. Isso tem nome. É sabotagem.”

Referia-se ao caso do dossiêgate. Atribui ao episódio a derrapagem temporã nas sondagens eleitorais. A hipótese de a eleição escorregar para o segundo turno, esboçada nos números das pesquisas, deixou Lula inconformado. As expressões de calão raso que utilizou no diálogo da noite passada não deixaram dúvidas quanto ao grau de irritação do presidente.

Referiu-se de forma desairosa às genitoras dos “aloprados”, como se refere aos petistas que arrastaram o comitê reeleitoral para o submundo da compra do dossiê contra políticos tucanos. Mostra-se convencido de que “tem dedo de tucano” por trás de Luiz Antonio Vedoin, o chefão da máfia das sanguessugas, homem que levou o dossiê ao balcão.

Para Lula, a equipe de “inteligência” de sua campanha, por “burra”, caiu numa armadilha montada por emissários do tucanato. O presidente menciona, não se sabe se baseado em informação privilegiada ou em intuição pessoal, o nome de Abel Pereira. Trata-se de um empresário ligado a Barjas Negri, prefeito de Piracicaba (SP) e sucessor de José Serra no Ministério da Saúde, sob FHC. Diz que foi Abel, em conluio com Vedoin, quem “armou a cama para o PT deitar”.

O interlocutor de Lula pediu calma ao presidente. Disse que “pesquisa não é urna”. Tentou infundir confiança na alma do chefe. Afirmou que, a despeito da quadra adversa, pressentia o triunfo em primeiro turno. “Deus te ouça”, reagiu Lula. “Com os aliados que temos, só mesmo apelando para Deus.”

Antes de repor o telefone no gancho, o presidente deu mostras de que não entregou os pontos. Pediu “empenho à tropa.” E disse que não pretende dar a “essa gente”, como se referiu ao tucanato, “esse gostinho [da vitória].” Comparou-se a uma planta resistente e espinhenta: “Eles estão lidando com um cáctus”.

PS.: Na manhã deste domingo eleitoral, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), candidato à reeleição, contou o que o presidente lhe disse a respeito dos “aloprados” de seu partido: "Lula me disse 'olha, Eduardo, eu fiquei tão indignado.' Ele ficou com vontade de quase torcer o pescoço das pessoas que fizeram isso. Foi essa a expressão que ele usou."

FONTE: Blog do jornalista Josias de Souza(texto do dia 01/10/2006)

Suplicy lidera com folga disputa paulista por vaga no Senado, mostra Datafolha

SÃO PAULO - O senador petista Eduardo Suplicy tem 53% dos votos válidos em São Paulo e deve manter sua vaga como representante paulista no Senado, de acordo com pesquisa do instituto Datafolha, encomendada pela TV Globo, divulgada ontem. A vantagem é bastante ampla em relação ao segundo colocado, Guilherme Afif Domingos (PFL), que aparece com 31% dos votos válidos, que desconsidera votos nulos, em branco e de indecisos.

A candidata do PMDB, Alda Marco Antonio tem 7% e Elza, do PDT, tem 2% dos votos válidos. Os candidatos ao Senado Ana Prudente (PTC), Dr. Cury (PHS), João Dárcio (PTN), João Rezende (PAN), Mancha (PSTU), Malek (Prona), Marcelo Reis Lobo (PSB) e Professor Antonio Carlos (PCO) atingem, cada um, 1% dos votos válidos. Os demais candidatos juntos não chegaram a somar 1%.

Até ontem, segundo o Datafolha, 10% dos eleitores tinham intenção de anular ou votar em branco para senador e outros 15% dos eleitores estavam indecisos. O levantamento mostra que também é alto o desconhecimento sobre o números dos candidatos.

Entre os eleitores que pretendiam votar no senador petista, 49% não sabiam o número de Suplicy, outros 16% responderam números errados e apenas 35% sabiam a resposta correta. No caso de Afif, 38% sabiam o número correto do candidato do PFL, mas 47% não tinham conhecimento e outros 15% citaram números incorretos.

A pesquisa foi feita nos dias 29 e 30 de setembro em São Paulo, com 3.219 eleitores.

A cada quatro anos, quando ocorrem as eleições em nível nacional, o Senado é renovado em um terço (27 senadores) e dois terços (54 senadores), alternadamente. Nesta eleição, o Senado será renovado em um terço (27 senadores). Por isso, os eleitores de cada Estado e do Distrito Federal votam em apenas um candidato.

(Valor Online)

FONTE: UOL(texto do dia 01/10/2006)
FONTE:

Principais vencedores nas eleições serão conhecidos à meia-noite de hoje

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília


Os eleitores brasileiros já vão conhecer os principais resultados das eleições deste ano à meia noite de hoje. Segundo o diretor-geral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Athayde Fontoura Filho, a expectativa do tribunal é que pouco antes da meia-noite 90% da apuração esteja concluída.

"A totalização dos resultados começa às 17h, quando encerra a votação. A partir das 19h, teremos a divulgação dos primeiros resultados", disse.

Na primeira divulgação, o TSE estima já ter apurado 30% dos votos válidos de todo o país.

O tribunal espera uma votação tranqüila, com o encerramento da votação na maioria das 380 mil seções eleitorais do país às cinco da tarde. Fontoura estima que cada eleitor vai gastar cerca de 40 segundos para votar. "Se alguns ultrapassarem essa média, teremos filas em algumas seções", disse.

O diretor ressaltou, no entanto, que houve divisão em seções eleitorais que reuniam um número muito grande de eleitores para evitar atrasos e reduzir a espera pela votação.

Segundo Fontoura, o eleitor é livre para permanecer o tempo que desejar na cabine de votação --sem qualquer interferência dos mesários no processo de escolha dos candidatos. "Os mesários são alertados a não exercerem nenhum tipo de pressão ou acelerar os eleitores", disse.

Ele alerta os eleitores para que levem a tradicional "cola", um papel com o número dos candidatos, justamente para evitar atrasos no momento da votação. "É importante levar a cola já que o eleitor vai escolher cinco candidatos. Isso facilita todo o processo", encerrou.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 01/10/2006)

Mais de 125 milhões vão às urnas hoje em todo o país

da Folha Online

Neste domingo, mais de 125 milhões de eleitores vão às urnas decidir quem serão seus representantes no governo durante os próximos quatros anos. Em jogo, os cargos políticos mais importantes do país: a Presidência da República; os 27 cargos de governadores; as 513 vagas para deputados federais, os 27 assentos do Senado Federal e as 1.035 vagas para deputados estaduais e distritais.

Quem vai apontar os escolhidos para essas vagas é um eleitorado heterogêneo e com amplas diferenças em relação aos candidatos que será compelido a escolher.

Enquanto o eleitorado brasileiro tem ligeira predominância feminina (51,53%), somente 13,95% dos candidatos são mulheres. Se somente 21,17% do eleitorado está na faixa etária dos 45 aos 59 anos, a quase maioria dos seus candidatos (45,97%, no caso dos homens; 48,58% para as mulheres) se encaixa nesse perfil. Somente 19 candidatos têm idade entre 18 a 20 anos.

Renovação

Os eleitores que se debruçarem sobre as urnas eletrônicas para digitar as 21 teclas necessárias para votar, provavelmente, terão frescos na memória os escândalos do "mensalão", da máfia dos "sanguessugas" ou mesmo episódios do passado nem tão recente, como o caso dos "Anões do Orçamento".

Se for esse caso, terão uma chance de renovação não desprezível, já que, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pouco menos de 10% dos mais de 19 mil candidatos habilitados declararam como profissão cargos públicos, a exemplo de deputados estaduais ou governadores.

Esse eleitorado interessado em renovar a política também se renovou: o número de eleitores entre 16 e 17 anos, a quem o voto é facultativo, cresceu 39,3% nos últimos quatro anos. Essa faixa etária, que representava 1,92% do total de eleitores, saltou para 2,45% neste ano.

Essa eleição também representa o "triunfo" dos eleitores criados à sombra da democracia e que somente conhecem a ditadura por uma vaga lembrança ou dos livros de história: a faixa etária que concentra o maior número de eleitores está entre os 25 e 34 anos, que representam 23,96% do total e soma 30.174.200 de pessoas.

O que não mudou, ainda, é a concentração geográfica desse eleitorado: quase 80% encontra-se distribuído por apenas 10 Estados, sendo que mais da metade em somente 5: São Paulo, com 22,27% dos votantes, seguido por Minas Gerais (10,86%), Rio de Janeiro (8,65%), Bahia (7,23%) e Rio Grande do Sul (6,16%).

Na ponta oposta, os menores colégios eleitorais estão em Roraima (0,19%), Amapá (0,29%), Acre (0,33%), Tocantins (0,70%) e Rondônia (0,79%).

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 01/10/2006)

Saturday, September 30, 2006

Lula tem 50% dos votos válidos e eleição pode ir para 2º turno, diz Datafolha

da Folha Online

Não é mais possível cravar com certeza se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será reeleito no primeiro turno ou se o pleito será decidido numa segunda etapa. Pesquisa Datafolha encomendada pela Folha e pela TV Globo, e divulgada na noite deste sábado pelo "Jornal Nacional" mostra que o candidato do PT tem 50% dos votos válidos.

Os demais adversários do petista também têm, juntos, 50% dos votos válidos. Com isso, a vantagem sobre os concorrentes não existe mais e não é mais possível prever se Lula consegue se reeleger no primeiro turno. É que considerando a margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos, o percentual de votos válidos de Lula varia de 48% a 52% --na taxa mínima, a eleição iria para o segundo turno.

Para ser eleito no primeiro turno, um candidato precisa ter mais da metade dos votos válidos, que excluem os brancos, nulos e os indecisos.

Na pesquisa anterior, Lula aparecia com a possibilidade de vencer no primeiro turno, com 53% dos votos válidos.

Na pesquisa divulgada hoje, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, aparece em seguida, com 38% dos votos válidos --ele tinha 35% anteriormente.

Em intenções de voto, a taxa de Lula caiu de 49% para 46% entre quarta-feira e a nova pesquisa. A taxa de intenção de voto em Alckmin oscilou de 33% para 35%.

A taxa de intenção de voto na candidata do PSOL, Heloísa Helena, se manteve estável em 8%--mesmo percentual da pesquisa anterior. Cristovam Buarque (PDT) também se manteve com 2%.

Ana Maria Rangel (PRP), José Maria Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL) e Rui Pimenta (PCO) não pontuaram.

Segundo turno

Num eventual segundo turno, de acordo com a pesquisa, Lula venceria a eleição com 49% das intenções de voto contra 44% de Alckmin. Ou seja, venceria com uma margem bem apertada.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 14.798 eleitores em 409 cidades de 24 Estados entre ontem e hoje. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Leia a pesquisa completa na edição deste domingo da Folha de S.Paulo (só para assinantes).

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 30/09/2006)

No Rio, Crivella ou Frossard pode ir para 2º turno contra Cabral

da Folha Online

Pesquisas Datafolha e Ibope mostram que Denise Frossard (PPS) e Marcelo Crivella (PRB) seguem tecnicamente empatados e têm chances de disputar o segundo turno contra Sérgio Cabral (PMDB) na eleição para governador do Rio de Janeiro.

De acordo com o Datafolha encomendada pela Folha, o candidato do PMDB tem 46% dos votos válidos. A margem de erro é de dois pontos percentuais --ou seja, Cabral chega a no máximo 48% e não deve vencer no primeiro turno.

Seu adversário poderá ser Frossard, que tem 22% dos votos válidos, ou Crivella, com 20%. Já Eduardo Paes (PSDB) e Vladimir Palmeira (PT) têm 4% cada um. A pesquisa Datafolha foi realizada hoje e ontem e entrevistou 2.058 eleitores.

Pelo Ibope, Cabral tem também 46% dos votos e é seguido por Frossard (22%), Crivella (19%), Paes (5%), Palmeira (5%) e outros (3%). O instituto ouviu 2.002 eleitores entre quinta-feira e hoje.

Para o Senado, o Datafolha aponta a deputada Jandira Feghali (PC do B) como favorita. Ela tem 49% dos votos válidos, contra 35% do deputado Francisco Dornelles (PP).

Leia a pesquisa completa na edição deste domingo da Folha de S.Paulo (só para assinantes).

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 30/09/2006)

Datafolha aponta vitória de Serra no primeiro turno

da Folha Online

Na véspera do primeiro turno das eleições, pesquisa Datafolha mostra que o candidato do PSDB, José Serra, mantém chances de ser eleito já neste domingo para o governo do Estado de São Paulo.

Na pesquisa encomendada pela Folha e pela TV Globo, e divulgada neste sábado no "SPTV - 2ª Edição", Serra tem 53% das intenções de voto, 2 pontos a mais que na última pesquisa feita entre os dias 27 e 28 de setembro.

Com este índice, Serra alcança 59% dos votos válidos.

O segundo colocado na pesquisa, Aloizio Mercadante (PT), manteve seu desempenho na pesquisa anterior e tem 22% das intenções de voto, ou 25% dos votos válidos.

Orestes Quércia, do PMDB, também manteve o mesmo índice de 8%, o que significa 9% dos votos válidos.

Somados, os demais candidatos têm 4% das intenções de votos. Entre eles, dois candidatos alcançam 2% dos votos válidos: Carlos Apolinário, do PDT, e Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL.

Senado

Para o Senado, o Datafolha aponta boa vantagem em favor de Eduardo Suplicy (PT). Na pesquisa, o petista alcança 53% dos votos válidos.

O segundo melhor colocado é Guilherme Afif Domingos (PFL), com 31%. Alda Marco Antonio, do PMDB, tem 7% e a candidata Elza, do PDT, chega a 2%.

A margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa foi feita com 3.219 eleitores, em 66 municípios de São Paulo, nesta sexta e sábado. Foi registrada no TRE-SP sob o número 006511/2006.

Leia a pesquisa completa na edição deste domingo da Folha de S.Paulo (só para assinantes).

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 30/09/2006)

Diferença de Lula para adversários recua para 4 pontos, diz Vox Populi

da Folha Online

A diferença na taxa de intenção de voto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os demais adversários recuou para 4 pontos, segundo pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Vox Populi. Essa pesquisa foi realizada nos dias 28 e 29 deste mês. Na pesquisa anterior, realizada nos dias 16 e 19, a diferença era de 17 pontos.

De acordo com a nova pesquisa, a taxa de intenção de voto em Lula recuou de 51% para 46%.

A principal diferença entre a pesquisa anterior e a divulgada hoje é o agravamento da crise deflagrada pela tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos por integrantes do PT.

Em seguida, aparece o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, com 33 pontos --ele tinha 27% no levantamento anterior.

A taxa de intenção de voto na candidata do PSOL, Heloísa Helena, oscilou de 6% para 7% --dentro da margem de erro, de 2,2 pontos para mais ou para menos.

O candidato do PDT, Cristovam Buarque, aparece com 1% --mesmo percentual verificado na pesquisa anterior.

A candidata Ana Maria Rangel (PRP), que tinha 1% anteriormente, não pontuou na nova pesquisa. Luciano Bivar (PSL), José Maria Eymael (PSDC) e Rui Costa Pimenta (PCO) não alcançaram 1%.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores de 192 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 30/09/2006)

Lula lidera disputa presidencial, diz Ibope

da Folha Online

A terceira pesquisa Ibope realizada após a crise política motivada pela compra de um dossiê por integrantes do PT contra políticos do PSDB mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mantém à frente na disputa pela corrida presidencial. Lula aparece com 48% das intenções de voto --ele tinha 47% na pesquisa anterior.

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, aparece em seguida, com 32% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, o tucano tinha 33%.

A senadora Heloísa Helena (PSOL) se manteve em 8% --mesmo percentual da pesquisa anterior. Cristovam Buarque (PDT) se manteve com 2%. Ana Maria Rangel (PRP) tem 1% das preferências.

José Maria Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL) e Rui Costa Pimento (PCO) não alcançaram 1% das intenções de voto.

Com esse resultado, a diferença de Lula para os demais candidatos ficou em 5 pontos. Na pesquisa anterior, a diferença era de 3 pontos. Considerando só os votos válidos, Lula venceria com 53%. Alckmin vem em seguida, com 35%. Heloísa tem 9%.

Pela margem de erro da pesquisa, de 2 pontos para mais ou para menos, o índice de votos válidos do petista varia de 51% a 55%, ou seja, se elegeria no primeiro turno.

Num eventual segundo turno entre Lula e Alckmin, o petista venceria com 52% das intenções de voto contra 40% do tucano.

A pesquisa ouviu 3.010 eleitores de 200 cidades entre os dias 25 e 26 deste mês. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Outras pesquisas

Pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem mostra que o presidente Lula seria reeleito no primeiro turno, com 51,1% das intenções de voto --ele tinha 51,4% anteriormente.

A taxa de intenção de voto em Alckmin passou de 19,6% de intenção de votos para 27,5% no período. Heloísa aparece com 5,7% das intenções de votos, ante 8,6% em agosto. A margem de erro é de até três pontos percentuais, para mais ou para menos.

FONTE: Texto do dia 27/09/2006)

Presidente de CPI vê prova contra tucano

RANIER BRAGON
LETÍCIA SANDER
da Folha de S.Paulo, em Brasília


O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), afirmou ontem que a documentação apresentada pela família Vedoin à Justiça Federal envolve de "forma contundente" o ex-ministro tucano Barjas Negri e o empresário Abel Pereira no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas.

"Posso afirmar que as provas são suficientes para que as investigações sejam aprofundadas. A documentação envolve o ex-ministro Barjas Negri e Abel Pereira de forma contundente", afirmou Biscaia após analisar documentos da Justiça Federal de Mato Grosso.

A família Vedoin, que coordenou a fraude dos sanguessugas, diz que pagou propinas a Abel para obter liberação de recursos do Ministério da Saúde na gestão Barjas, entre fevereiro e dezembro de 2002. Barjas é prefeito de Piracicaba (SP).

Segundo a acusação dos Vedoin, Abel era uma pessoa ligada a Barjas. O ex-ministro nega envolvimento com os Vedoin e diz que Abel não exercia influência no ministério.

"Existe uma petição do Vedoin ao juiz de Cuiabá em que ele relata detalhadamente o envolvimento de Abel e Barjas no episódio", disse Biscaia.

Barjas sucedeu José Serra, candidato ao governo de São Paulo, no ministério. Biscaia afirmou que, entre os documentos analisados, nenhum indica a participação de Serra no episódio. Apesar disso, o deputado vai defender no dia 4, data da próxima reunião da CPI, a convocação de todos os ministros da Saúde que ocuparam a pasta entre 1998 e 2005 --além dos tucanos Barjas e Serra, o petista Humberto Costa (2003 a 2005) e o peemedebista Saraiva Felipe (2005 a 2006).

A principal acusação dos Vedoin contra Barjas e Abel está em documento entregue à Justiça Federal em Cuiabá.

Entre outras coisas, há extrato da conta de uma das empresas de Luiz Antonio Vedoin no BB que mostra transferência de R$ 20 mil de janeiro de 2003 para pessoa supostamente ligada a Abel. O extrato é, segundo Vedoin, prova de pagamento de propina a Abel pela liberação de verbas da Saúde destinadas à compra de ambulâncias.

Outro lado

Barjas Negri enviou nota à Folha em que disse não ter "qualquer envolvimento" com o esquema. Ele disse que Vedoin não possui credibilidade para fazer as denúncias. Ele negou também que Abel tenha tido relação com a Saúde.

A Folha ligou para a casa de Abel e para suas empresas, mas ninguém atendeu. Em outras oportunidades, ele disse nunca ter tido acesso ao ministério.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 27/09/2006)

Tuesday, September 26, 2006

Vantagem de Lula sobre demais candidatos é de 15,5 pontos, diz CNT/Sensus

A vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição do PT, sobre os demais adversários é de 15,5 pontos segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje. De acordo com o levantamento, a taxa de intenção de voto em Lula é de 51,1%. Na pesquisa anterior, realizada no final de agosto, a distância entre Lula e os demais candidatos era de 20,2 pontos.

Em seguida, aparece o tucano Geraldo Alckmin, com Alckmin 27,5% das intenções de voto. A taxa de intenção de voto na candidata do PSOL, Heloísa Helena, foi de 5,7%. Cristovam Buarque (PDT) teve 1,4%.

Os candidatos José Maria Emayel (PSDC), Rui Costa Pimenta (PCO) e Luciano Bivar (PSL) tiveram 0,1%. Ana Maria Rangel, do PRP, teve 0,6% das intenções de voto.

Se a eleição fosse hoje, Lula venceria no primeiro turno com 59% dos votos válidos --excluindo brancos, nulos e indecisos. Alckmin tem 31,8% dos votos válidos. Heloísa aparece com 6,6% dos votos válidos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 24 de setembro. Foram ouvidas 2.000 pessoas em 24 Estados. A margem de erro é de até três pontos percentuais, para mais ou para menos.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 26/09/2006)

Pesquisas Datafolha

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Lula diz que mesmo com denúncia vai vencer eleição no 1º turno

FELIPE NEVES
da Folha Online, em Sorocaba


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, deixou a modéstia de lado neste domingo e disse que vai vencer a eleição no primeiro turno. Lula minimizou a crise deflagrada pela tentativa de compra de um suposto dossiê por petistas contra tucanos e disse que com ou sem denúncia vai vencer a eleição no primeiro turno.

"Podem fazer denúncia. Façam o que quiser", disse Lula hoje durante comício em Sorocaba (SP). "Não tem problema. Nós vamos ganhar com a cara limpa."

"Estou aqui também para dizer que não me assusta a gritaria e o denuncismo deles. Até porque não será o PT o único partido a ter companheiros que cometam erros", acrescentou o presidente, em referência ao episódio da suposta compra do dossiê.

Ainda neste tema, Lula chegou até a fazer uma analogia a uma passagem bíblica --em que Judas trai Jesus Cristo-- para dizer que os erros de alguns militantes não eliminam as conquistas de seu governo. "A gente poderia pegar a história e iríamos perceber que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo", afirmou Lula, que também mencionou Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira.

Até então, somente os ministros petistas vinham declarando a possibilidade de Lula faturar o pleito num único turno. "Eu nunca falei que iria ganhar a eleição no primeiro turno. Por modéstia, eu nunca falei. Nunca falei por respeito. Mas quero dizer para vocês: nós vamos vencer essas eleições domingo", disse Lula.

Pesquisa Ibope divulgada ontem mostra que a taxa de intenção de voto de Lula oscilou de 49% para 47%, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. A taxa de intenção de voto do tucano Geraldo Alckmin subiu de 30% para 33%. Heloísa Helena (PSOL) oscilou de 9% para 8%. Na nova pesquisa, a diferença entre os votos do presidente e dos demais adversários --que era de sete pontos-- recuou para três pontos.

Para analistas de pesquisas, a chance de Lula vencer no primeiro turno ficou mais apertada: ele tem 52% dos votos válidos e todos os adversários juntos somam 48%. No limite da margem de erro, pode haver um empate técnico.

Mas Lula descartou hoje esse cenário. "Se alguém achar que a eleição presidencial vai para o segundo turno, vai ter que esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro."

O presidente afirmou ainda que o próximo domingo será dia da "onça beber água". "Dia 1º de outubro é dia da onça beber água. Essa oncinha está com sede."

Lula ainda alfinetou a oposição e avisou que irá desmoralizar os adversários no seu eventual segundo mandato. "E eles [oposição] sabem que mais quatro anos meus, eu vou desmoralizar muitos que governaram esse país", disse se referindo aos tucanos.

Representante do povo

Em todo o seu discurso, para cerca de 3.800 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, Lula tentou se posicionar como um representante do povo e contra as elites que, segundo ele, querem voltar a dominar o país.

"Essa campanha não é de um candidato contra outro candidato. Essa campanha é do povo trabalhador contra uma elite aristocrata que manda nesse país desde que [Pedro Álvares] Cabral chegou. É isso o que está em jogo nesse momento."

Segundo Lula, seus adversários, "por não terem condições de explicar o que fizeram, preferem fazer o jogo rasteiro da denúncia."

Nesse raciocínio, Lula mandou um recado a seus colegas de partido. "O que nós precisamos é ouvir menos o que eles falam e ouvir o que fala o coração desse povo."

"Se alguém pensa que vai ganhar a eleição com esse comportamento [de denúncias], pode tirar o cavalinho da chuva porque o povo brasileiro é mais esperto do que eles imaginam", afirmou.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 24/09/2006)

Lula mantém vantagem mesmo após escândalo sobre dossiê, mostra Vox Populi

da Folha Online

Mesmo após o escândalo sobre o dossiê supostamente comprado pelo PT contra tucanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, venceria no primeiro turno, se a eleição fosse hoje, segundo pesquisa Vox Populi, encomendada pela revista "Carta Capital" e divulgada nesta sexta-feira.

Na pesquisa, Lula aparece com 51% das intenções de voto, seguido pelo tucano Geraldo Alckmin, com 27%. Na pesquisa anterior, divulgada em 1º de setembro, o petista tinha 50% e o tucano, 25%.

A candidata do PSOL, Heloísa Helena, ficaria em terceiro lugar, com 6% das intenções de voto. Ela perdeu três pontos percentuais em relação à última pesquisa.

Cristovam Buarque (PDT) tem 1%. Em 1º de setembro, ele aparecia com 2%.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 16 e 19 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Datafolha

Pesquisa Datafolha divulgada na última terça-feira pelo "Jornal Nacional" mostra que o presidente se mantém à frente na corrida presidencial.

Se a eleição fosse hoje, Lula seria reeleito com 56% dos votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos.

De acordo com a pesquisa, a taxa de intenção de voto de Lula se manteve estável em 50% --mesmo percentual verificado na pesquisa da semana passada.

Em seguida, aparece Alckmin, cuja taxa de intenção de voto oscilou de 28% para 29% --dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A taxa de intenção de voto na candidata do PSOL permaneceu estável em 9%. Cristovam oscilou de 1% para 2%.

O Datafolha ouviu 7.735 eleitores em 353 cidades entre os dias 18 e 19 de setembro.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 22/09/2006)

Lula mantém liderança e seria eleito no 1º turno, diz Ibope

A primeira pesquisa Ibope após a crise política deflagrada pela tentativa de compra de um dossiê antitucanos por integrantes do PT indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, continua mantendo a liderança e venceria a eleição no primeiro turno.

No levantamento divulgado no "Jornal Nacional", da TV Globo, Lula tem 49% das intenções de voto contra 30% de Geraldo Alckmin. Na pesquisa anterior, o petista tinha 50% e o tucano 29%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) mantiveram a mesma taxa de intenções de voto da pesquisa anterior --9% e 2% respectivamente.

A pesquisa foi feita entre os dias 18 e 20 de setembro. Foram consultados 3.010 eleitores em 203 municípios. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 18052/06.

A pesquisa divulgada não informou o percentual de votos válidos de cada candidato.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 21/09/2006)

PF diz que dossiê tinha 2.000 páginas e citava PT e outros partidos

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online


O delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno afirmou hoje que o dossiê original que seria comprado por integrantes do PT com supostas denúncias contra adversários era muito maior e abrangia "partidos de A a Z". Bruno foi o responsável pela prisão de Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha em um hotel em São Paulo na sexta-feira passada.

"O Gedimar disse que o dossiê está envolvendo todos os partidos políticos e o próprio PT. Em nenhum momento o senhor Gedimar disse que era um dossiê contra o PSDB. Se vocês tiverem acesso aos meus autos, no futuro, verão que ele não fala do PSDB", disse o delegado.

Na semana passada, a PF apreendeu uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos --que formariam um suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra. O material, entretanto, mostrava apenas Serra em cerimônias de entrega de ambulâncias.

Bruno forneceu mais detalhes sobre a prisão dos dois na capital paulista. Primeiramente a PF prendeu Valdebran, que tentou negociar a entrega do restante do dossiê já sob a supervisão da polícia, mas a operação para conseguir o restante dos documentos não deu certo e foi interrompida. Logo depois, Valdebran teria indicado a presença de Gedimar, que foi detido no mesmo hotel.

De acordo com o delegado, os depoimentos indicam que o dossiê original teria cerca de 2.000 páginas e apontaria outras denúncias além do envolvimento com a máfia dos sanguessugas.

Ainda de acordo com ele, os documentos teriam sido vistos antes em Cuiabá (MT). "Esta negociação [para comprar o dossiê], começou quando os Vedoin estavam presos na Polinter em Cuiabá", afirmou Bruno.

Na reconstituição do delegado, os Vedoin teriam avisado Valdebran que "alguém do PT" iria procurá-lo. Este alguém seria Gedimar, com conhecimento de Jorge Lorenzetti.

Bruno afirmou também que o PT iria comprar uma espécie de "pacote de denúncias" que valeria em torno de R$ 2 milhões.

Intervenção branca

O delegado procurou contestar a tese de "intervenção branca" na investigação sobre o dossiê. Segundo Bruno, ele estava fora do caso e foi acionado pela PF de Mato Grosso para deter Valdebran em um hotel em São Paulo.

Ele alegou que pela hora avançada em que terminou a prisão de Valdebran e Gedimar, não tomou depoimentos, que ficaram a cargo de uma delegada assistente. "Eu não fui afastado, apenas eu não continuei no caso", disse. Bruno acrescentou não saber se isto é normal, "eu apenas segui a minha chefia", afirmou.

Segundo a Folha apurou, o delegado Bruno, que estava de plantão na madrugada de sexta-feira e prendeu Valdebran Padilha, foi afastado do caso e no lugar dele foram acionados policiais ligados ao superintendente em exercício da PF em São Paulo, Severino Alexandre, indicado para a diretoria executiva do órgão pelo diretor-executivo.

Por orientação do superintendente em exercício, todos os delegados e agentes foram proibidos de falar sobre o caso. Também foi vetada a divulgação de imagens do dinheiro apreendido no hotel.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 22/09/2006)

Berzoini atribui suposto dossiê à tentativa de desestabilizar PT e Lula

da Folha Online
da Folha de S.Paulo


O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, negou que o partido tenha repassado dinheiro para o advogado e ex-agente da Polícia Federal Gedimar Pereira Passos, preso na sexta em São Paulo, acusado de tentar comprar um dossiê contra o candidato do PSDB ao governo do Estado, José Serra. Berzoini condenou o que chamou de "tentativa de chantagem" contra tucanos.

O presidente do PT também divulgou nota sobre o assunto em que atribuiu a suposta compra de dossiê contra tucanos por petistas à tentativa de desestabilizar o partido e a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Diante da consolidação da liderança de nossa candidatura presidencial e da frustração daqueles que desejaram destruir o PT, não nos surpreende que ocorram episódios dessa natureza, com o objetivo de conturbar a disputa eleitoral, que está sendo conduzida de nossa parte para o debate exclusivamente programático", declarou Berzoini em nota divulgada à imprensa na tarde deste sábado.

Também serão tomadas providências quanto ao filiado do PT preso pela Polícia Federal em São Paulo, acusado de portar dinheiro para comprar material contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, informou Berzoini:

"Encaminharei ao Diretório Nacional a aplicação da suspensão cautelar, conforme o estatuto, e abertura de procedimento disciplinar".

Segundo a nota, o PT considerou graves as novas acusações relativas ao escândalo dos sanguessugas publicadas pela revista "Isto É" e que envolvem o governo anterior.

"Ao contrário dos nossos adversários, não prejulgaremos, mas exigimos a rigorosa e isenta investigação das denúncias, para apurar todas as responsabilidades", afirmou o texto assinado por Berzoini, também coordenador nacional da campanha à reeleição de Lula.

Outro ponto da nota disse que, por ter sido vítima de procedimento semelhante, "o PT sempre rejeitou o denuncismo eleitoral e a produção ilegal de dossiês". E manifestou confiança do partido na apuração da Polícia Federal dos fatos e das circunstâncias que envolvem as prisões relacionadas com o episódio.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 16/09/2006)

Lula diz que tentativa de compra de dossiê é abominável; Alckmin acusa o PT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "abominável" a tentativa de compra de documentos que mostrariam o suposto envolvimento de José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência, com a máfia dos sanguessugas.

"Eu acho que um dossiê contra o Serra é um dossiê igual a tantos outros dossiês que circulam por esse país. Eu acho abominável as pessoas tentarem comprar notícias", disse Lula ao deixar Aracaju, onde fez um comício na noite desta sexta-feira.

A Polícia Federal prendeu ontem Valdebran Padilha e Gedimar Pereira Passos, suspeitos de participar da tentativa de compra de documentos contra tucanos. Padilha é ex-tesoureiro do PT em Mato Grosso e Passos se apresentou como advogado do partido naquele Estado. A PF apreendeu cerca de R$ 1,7 milhão --R$ 1,168 milhão e mais US$ 248 mil --que estava com eles num hotel da zona sul de São Paulo.

Os dois foram detidos após a PF voltar a prender Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam --empresa acusada de liderar a máfia das ambulâncias. A suspeita é que o dinheiro seria usado para comprar os documentos que seriam levados para São Paulo.

Alckmin

O candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, vinculou o PT às prisões de Vedoin e Padilha. "O PT não aprende com a crise. A pergunta que se faz é: para quem isso serve?", perguntou o tucano.

Ontem à noite, Alckmin cobrou explicações do caso. 'O fato grave que precisa ser investigado é o crime, o vale-tudo que nós estamos vendo por parte do PT.'

O presidenciável disse não temer que possa aparecer foto sua com alguém da Planam. 'Isso não vai acontecer, não tem foto nenhuma. Aliás, é dever mostrar o que tiver, mostrar foto, mostrar documentos. A sociedade exige isso, nós exigimos isso: apresentem, mostrem', disse.

Segundo Alckmin, o caso revela chantagem e corrupção. 'O fato é que são criminosos fazendo chantagem, querendo confundir a opinião pública, corrompendo pessoas', afirmou.

Serra chamou de 'baixaria' a suposta tentativa do sócio da Planam, Luiz Antônio Vedoin, de vender denúncias de que o esquema da máfia dos sanguessugas foi beneficiado durante a gestão do tucano como ministro da Saúde.

"O que eu sei é que a Polícia Federal deteve gente transportando R$ 1,7 milhões destinados a pagar uma baixaria de campanha que estão fazendo contra a minha candidatura", afirmou ele, em uma rápida declaração concedida ao "Jornal Nacional", da Rede Globo.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 16/09/2006)

Empresário sanguessuga queria vender fotos de tucanos por R$ 2 mi, diz PF

HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Campo Grande


A Polícia Federal apreendeu vídeo, DVD e fotos que mostram o candidato a governador em São Paulo pelo PSDB, José Serra, na entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas em Cuiabá em 2001.

O material, segundo a PF, seria vendido por R$ 2 milhões por Luiz Antônio Vedoin, chefe dos sanguessugas, ao petista Valdebran Carlos Padilha da Silva, preso pela PF hoje de madrugada no aeroporto Congonhas (SP).

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, Geraldo Pereira, disse que foram encontrados mais de R$ 1,8 milhão, em dinheiro (dólar e real) em um hotel de São Paulo. A quantia seria usada no pagamento do material.

O presidente municipal do PT em Cuiabá, Jairo Rocha, disse que Valdebran está filiado ao partido desde agosto de 2004. Ele só não assumiu uma diretoria da Eletronorte no início do governo Lula porque uma ala petista enviou à estatal dossiê em que aponta suposta fraude de Valdebran em licitação de uma prefeitura em 2001, disse Rocha.

Também foi preso em São Paulo o advogado Gedimar Pereira Passos, ex-agente da PF, informou Pereira. A operação da PF começou no aeroporto de Cuiabá às 23h30 de ontem.
Paulo Roberto Trevisan, primo de Vedoin, foi detido, embarcando para São Paulo, quando subia a escada do avião com uma pasta azul levando uma fita, um DVD e várias fotos que registram a presença de Serra e de outros tucanos na solenidade de entrega de 41 uma ambulâncias em Cuiabá, no mês de maio de 2001.

As ambulâncias, entregues para as prefeituras, foram vendidas por empresas da máfia de sanguessugas.

Não há acusações do envolvimento de Serra com o esquema da liberação de verbas para o esquema de Vedoin. No DVD, Serra aparece discursando, assim como o deputado Lino Rossi (PP-MT), apontado com o campeão no recebimento de propina: R$ 3 milhões.

Levado à PF, Paulo Trevisan disse que iria entregar o material em São Paulo a pedido de Vedoin a uma pessoa que o reconheceria pela pasta azul. Em seguida, Trevisan foi liberado.

A PF então acionou agentes de São Paulo que prenderam Valdebran e Pereira Passos. Depois foi apreendido o dinheiro. Outra providência da PF foi pedir a prisão de Vedoin, o que acabou ocorrendo hoje.

Conforme o superintendente da PF, os policiais receberam uma informação de que Paulo Trevisan estava levando o material a São Paulo. A Justiça Federal havia determinado escutas telefônicas para monitorar Vedoin. Ainda segundo o superintendente, a PF descobriu a manobra de Trevisan ao abrir novo inquérito uma segunda fase de investigação da máfia dos sanguessugas.

"No vídeo aparece José Serra. Tem fotos do [candidato a presidente Geraldo] Alckmin [PSDB] e do [senador tucano] Antero [Paes de Barros] e deputados daqui", afirmou o superintendente da PF. Não há informação de que Alckmin tenha participado do evento.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 15/09/2006)

PF prende chefe dos sanguessugas por tentativa de chantagem

HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Campo Grande
FELIPE NEVES
da Folha Online


O empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, 31, chefe da máfia dos sanguessugas, foi preso hoje pela Polícia Federal, em Cuiabá (MT), por "ocultação e venda de provas" e por "chantagear pessoas envolvidas em crimes", ou seja, no esquema de venda de emendas ao Orçamento que envolve ao menos 90 parlamentares.

A ordem de prisão partiu do juiz da 3ª Vara Federal de Cuiabá, Cesar Augusto Bearsi, a pedido da PF. "É inadmissível que o réu [Vedoin] disposto a participar de uma delação premiada venha a ocultar provas importantes e ainda usá-las para chantagear as pessoas, vendendo-lhes tais provas", afirmou o juiz em sua decisão.

A prisão de Vedoin --que estava escondido em um motel de Cuiabá, segundo a PF-- ocorreu um dia depois de seu primo Paulo Roberto Trevisan ter sido preso pelo órgão.

Trevisan foi detido no aeroporto de Cuiabá, na noite de quinta-feira, com uma fita de vídeo, um DVD e fotos que registraram evento em maio de 2001, em Cuiabá, onde o ex-ministro da Saúde José Serra, candidato do PSDB a governador de São Paulo, participa de entregas de ambulâncias vendidas por Vedoin a prefeituras.

Vedoin foi encaminhado depois para a delegacia da Polinter, onde já ficou preso quando a PF deflagrou a operação Sanguessuga, em maio deste ano.

Ainda de acordo com a PF, Vedoin mandou entregar o material a duas pessoas em São Paulo que, em troca, pagariam R$ 2 milhões em dinheiro.

Em São Paulo, segundo a PF de Cuiabá, estão detidos o empresário Valdebran Carlos Padilha da Silva e Gedmar Pereira Passos, advogado e ex-agente da PF. Padilha já foi tesoureiro das campanhas eleitorais do PT no Mato Grosso e Passos se apresentou como advogado do diretório do PT naquele Estado. A suspeita é que o material seria "vendido" para eles.

Preso no mês de maio na Operação Sanguessuga, Vedoin estava em liberdade desde o dia 11 de julho, após colaborar com a Justiça no sistema de delação premiada. Em seu depoimento de nove dias, Vedoin revelou o pagamento de propina a parlamentares em troca de emendas ao Orçamento destinadas a compra de ambulâncias.

Esses veículos, adquiridos por prefeituras em licitações fraudadas, eram fornecidos pela Planam e Santa Maria, empresas de Vedoin sediadas em Cuiabá. As revelações do empresário levaram a CPI dos Sanguessugas a pedir a cassação de 69 deputados e três senadores por venda de emendas ao Orçamento.

Em agosto e neste mês, ao dar entrevistas a revistas, Vedoin envolveu novos congressistas que não havia citados nos depoimentos à Justiça e à CPI. Um novo nome adicionado à lista de parlamentares foi o do senador tucano, candidato ao governo de Mato Grosso, Antero Paes de Barros, que nega envolvimento e acusou o empresário de negociar depoimentos.

O superintendente da PF em Mato Grosso, Geraldo Pereira, disse que a prisão de Vedoin foi pedida porque "ele estava sonegando prova e atrapalhando as investigações".

"Interceptação [escuta] telefônica regularmente decretada gerou entre seus frutos o conhecimento de que Luiz Vedoin está negociando provas, em especial documentos que mantém ocultos", afirmou o juiz ao decretar da prisão do empresário.

Anteontem, Vedoin entregou novos documentos ao Ministério Público Federal sobre depósitos bancários que seriam comprovantes de pagamento de propina em troca de liberação de verbas no Ministério da Saúde no governo anterior, em 2001 e 2002.

Em uma entrevista à revista "IstoÉ", o empresário afirmou, ao falar sobre os documentos, que a melhor época para ele foi quando Serra era ministro.

O procurador da República em Cuiabá Mário Lúcio Avelar disse hoje que os documentos não apontam envolvimento de Serra com o esquema da máfia dos sanguessugas.

São Paulo

Padilha e Passos depuseram para a PF em São Paulo. A PF, em Cuiabá, informou que iria pedir a prisão temporária dos dois. Até as 20h desta sexta-feira, os dois continuavam na sede da PF de São Paulo. A Justiça, entretanto, ainda não havia autorizado a prisão deles.

A expectativa é que a autorização seja dada até o final da noite. Não se sabe se eles serão transferidos para Cuiabá ou se continuarão em São Paulo.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 15/08/2006)

Monday, September 18, 2006

Lula diz que 81% dos casos de corrupção são herança de FHC

DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, criticou o desvio do PT em seu governo, contemporizou o envolvimento de nomes fortes do partido no escândalo do mensalão, e disparou contra o governo Fernando Henrique: 81% dos casos que a Polícia Federal desmontou começaram no governo tucano.

A declaração, em entrevista no Jornal da Band, da Rede Bandeirantes, na noite desta quinta-feira, foi uma reação de Lula quando questionado sobre a crítica de FH, que falou em "podridão moral" no governo petista.

"Eu só queria lembrar que 81% dos casos que a Polícia Federal desmontou, envolvendo a operação Sanguessuga e Vampiro, começaram antes do meu governo, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Possivelmente ele também não sabia, porque só se sabe quando é investigado", argumentou.

Lula lamentou que o colega não saiba se comportar como ex-presidente e que ele deve estar "irritado porque não tem espaço político e tem alto nível de rejeição".

Fazer diferente

Quanto ao envolvimento de petistas no escândalo do mensalão, Lula reconheceu que o PT cometeu erros durante sua gestão e traiu suas premissas.

"O PT foi construído para ser o símbolo de que era possível fazer política diferente. E de repente eu vejo algumas pessoas do PT enveredam pelo mesmo círculo vicioso da política brasileira, achando que o PT poderia fazer o que todo mundo faz sem pagar nenhum preço. Eu me senti traído por quem cometeu erro", disse Lula.

Segundo ele, no papel de presidente, fez o que lhe coube: "Presidente exonera, não julga. E eu afastei os envolvidos, agora, quem cometeu erro vai pagar", disse o presidente, que prometeu que em "seu governo os casos de corrupção serão investigados e não, engavetados", em crítica velada ao governo Fernando Henrique.

Sistema apodrecido

Por outro lado, Lula contemporizou a culpa e o envolvimento do PT em escândalos durante o seu governo. "A principal lição que eu tiro é que um erro não é de um partido político ou de uma pessoa, mas de um sistema. A lógica da política brasileira está apodrecida", ponderou Lula.

Como sua contribuição à moralização da política, o presidente voltou a prometer que fará a reforma política.

"Na política brasileira, vamos ter de pensar 3/4 no mandato e 1/4 para discutir política. No Brasil, se trabalha muito para que o Brasil não dê certo", ataca o presidente e candidato.

Ausência em debates

Quanto ao fato de não comparecer aos debates eleitorais, Lula voltou a mencionar FH para se desculpar.

"Não é hábito do presidente ir a debate. O Fernando Henrique não foi a nenhum debate. Eu nunca vi ninguém cobrar dele", disse Lula, que também negou a ausência nos debates ao fato de estar na frente das pesquisas."O presidente da República não pode se expor, tem de preservar a instituição", acrescentou Lula.

FONTE: Texto do dia 14/09/2006)

Serra mantém liderança na disputa pelo governo de SP, diz Ibope

da Folha Online

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira pelo "SP TV" mostra que o ex-prefeito José Serra (PSDB) se mantém à frente na disputa pelo governo de São Paulo, com 47% das intenções de voto --no levantamento anterior, ele tinha 46%.

O candidato do PT ao governo de São Paulo, o senador Aloizio Mercadante, aparece em seguida, com 23% das intenções de voto --ele tinha 18% no levantamento anterior.

Com isso, a vantagem de Serra sobre o candidato do PT, senador Aloizio Mercadante, recuou de 28 pontos para 24 pontos agora.

O peemedebista Orestes Quércia aparece em seguida, com 9% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, Quércia tinha 8% das intenções de voto.

O candidato do PDT, Carlos Apolinário, tem 2%. Os candidatos Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Cunha Lima (PSDC) tiveram 1%. Roberto Siqueira (PSL) apareceu pela primeira vez na pesquisa, com 1%. Os demais candidatos não pontuaram.

O levantamento foi feito entre segunda-feira e ontem. A margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

FONTE: Texto do dia 14/09/2006)

O crepúsculo de alguns políticos

A carta de FHC

BRASÍLIA - Ao ler a carta aberta de FHC aos militantes do PSDB, fica uma pergunta: que efeito terá no processo eleitoral? Possivelmente, nenhum. Mais adiante talvez resulte em alguma reflexão numa eventual refundação do PSDB.

O sociólogo e ex-presidente acerta parcialmente em suas críticas. O ponto é: demorou muito. Ele reconhece: "Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população".

O problema de sempre é o meio desqualificando a mensagem. A tal história de "não somos iguais" é relativa. FHC e PSDB poderiam ter há tempos adotado uma atitude de intransigência com as práticas adotadas pelo PT e por Lula. Preferiram o silêncio. Compreensível.

Quando Eduardo Azeredo foi pego num esquema semelhante ao do mensalão-Marcos Valério, ficou difícil para o tucanato se mexer. Foi uma opção calculada.

Ao apontar o dedo para os "companheiros" petistas hoje no governo, FHC parece ter se esquecido do loteamento que fez de seu ministério em 1997. Deu a Justiça para um jurista internacionalmente conhecido (sic), o goiano Iris Rezende. O Ministério dos Transportes foi para o gaúcho Eliseu Padilha. Ambos eram do PMDB. No Congresso, em troca, foi enterrada a CPI da compra de votos.

O PSDB elegeu 63 deputados em 1994. Em 1997, já estava com cem cadeiras na Câmara.

No início deste ano, tucanos e pefelistas aflitos abordavam jornalistas: "E aí? Tem mais coisa?". Preguiçosos. Sem ação. Esperavam que só a mídia investigasse. Tenham dó.

Agora, essa carta de FHC falando até de "carestia", expressão há muito fora de uso. O vocabulário antigo pode ser o prenúncio de uma fase nova para políticos antes influentes. Hoje parecem rumo a um estágio crepuscular.

AUTOR: Jornalista Fernando Rodrigues

FONTE: Blog do jornalista Fernando Rodrigues(texto do dia 09/09/2006)

A cartada de FHC

Em mensagem ao PSDB, ex-presidente tenta mobilizar seu grupo político no partido já com vistas à sucessão de 2010

NÃO É a primeira vez que uma manifestação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso causa frenesi na campanha de Geraldo Alckmin. A "carta-manifesto" da quinta-feira foi precedida, em 30 dias, de uma entrevista a uma publicação mensal em que FHC afirmava ser José Serra a pessoa mais preparada para governar o Brasil.

A campanha do ex-governador paulista apenas se iniciava, embora a perspectiva de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno já começasse a se expressar nas pesquisas. Na longa e tonitruante "Carta aos eleitores do PSDB", Fernando Henrique volta à carga. No subtexto está a luta de gerações e grupos políticos, interna ao tucanato, que não foi resolvida com a indicação do nome de Alckmin para encabeçar a chapa presidencial.É evidente o potencial desagregador da intervenção de FHC para a candidatura do ex-governador paulista. Pregar ao futuro do partido, permitir-se criticar com acidez a estratégia eleitoral tucana, denunciar, a esta altura, falhas no encaminhamento da questão Azeredo e na política de segurança pública da gestão Alckmin em São Paulo é como supor que a atual disputa pela Presidência esteja liquidada. É como lançar-se na luta política pela hegemonia no PSDB com vistas à sucessão de 2010.É verdade que o texto é tão sinuoso, atira para tantos lados, que numa eventual recuperação das chances de Alckmin, se poderá ler nele o germe anímico da reação.

Dificilmente, no entanto, essa mais recente cartada de FHC deixará de ser vista, seja qual for o desempenho final do candidato do PSDB em outubro, como mais um torpedo a dinamitar pontes entre pelo menos três grupos políticos na legenda.Fernando Henrique fala por si, defende o legado de seus oito anos de governo -legado tido como impopular e, pelo jeito, difícil de ser defendido por Alckmin. Mas a carta não é apenas uma tentativa pessoal do ex-presidente de permanecer à tona a partir de 2007. FHC também busca manter a viabilidade da chamada velha guarda tucana nas disputas que se avizinham na sigla. Quem encarna o projeto do ex-presidente é José Serra.Se as urnas reproduzirem o que hoje dizem as pesquisas, haverá no PSDB dois pólos em condições de disputar a sucessão presidencial daqui a quatro anos: Serra, no governo paulista, e Aécio Neves, no mineiro.O governador de Minas representa mais que uma aventura pessoal ou um projeto partidário. Seu altíssimo índice de intenções de voto e seu arco de alianças de amplitude ímpar o credenciam como liderança ungida do segundo maior colégio eleitoral.

Sua vocação para minimizar inimizades e manter diálogo estreito com Lula -ainda que não o leve a uma improvável aliança com o presidente- abre-lhe o horizonte para um acúmulo de forças de escala nacional.Aécio Neves parece ser o alvo estratégico de Fernando Henrique. Se a indicação de Serra para o Planalto escapou pelos vãos dos dedos do ex-presidente neste ano, uma derrota semelhante em 2010 estaria muito próxima de sepultar o seu grupo político. Mas tudo muda -e aí está o maior risco da cartada- se Alckmin surpreender e conseguir bater Lula em outubro. As exéquias poderiam ser antecipadas.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 10/09/2006)

Alckmin e Aécio se unem contra Serra e FHC

da Folha de S.Paulo

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, e o governador de Minas, Aécio Neves, candidato à reeleição, estarão juntos de novo hoje em Juiz de Fora, numa dobradinha que promete sobreviver às eleições. Alckmistas apostam numa aliança entre os dois para buscar o controle do PSDB ou ao menos preservar o espaço do ex-governador paulista no partido, caso ele perca as eleições.

Na lógica de tucanos ligados a Alckmin e Aécio, no cenário de hoje, o acordo seria conveniente para os dois. Enquanto Alckmin depende de apoio significativo em Minas agora, ainda na esperança de assegurar um lugar no segundo turno, Aécio terá que atrair uma parcela do PSDB de São Paulo para conquistar o direito de representar o partido nas eleições presidenciais de 2010. Futuramente, Alckmin poderia contar com Aécio numa disputa pela presidência nacional do partido.

Para tucanos mineiros, em 2010, Aécio dependerá de todo o PSDB de Minas e de pelo menos uma fatia do partido em São Paulo. Mas, confirmada sua eleição para o Palácio dos Bandeirantes, o ex-prefeito José Serra é quem controlará o partido no Estado. Por isso, é preciso cooptar uma ala em São Paulo. Hoje, seu trunfo seria o mapa eleitoral de Minas. "Há, na verdade, um favoritismo do presidente Lula, mas começa a haver uma curva de aproximação do candidato Alckmin, inclusive aqui em Minas, e o que eu puder fazer, da forma como eu ajo, com firmeza e com seriedade, mas sem ofensas pessoais a alguém só porque é meu adversário, eu vou fazer", disse ontem Aécio, em entrevistas.

Os dois têm trocado afagos, como a enfática defesa que Alckmin fez ao fim da reeleição. Como o fim da reeleição agrada a Aécio, alckmistas atribuem a isso a controversa carta em que FHC insinua que a corrida presidencial está encerrada. O documento seria uma reação de FHC e Serra à idéia de Alckmin e Aécio se unirem para comandar o partido.

Coordenador de campanha de Serra, o secretário de Governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, nega: "Vi muita especulação. Mas FHC não falou com ninguém. Até nos surpreendeu", disse ele.

Para alckmistas, a disputa entre Aécio e Serra é benéfica para o ex-governador de São Paulo. Para impedir uma aliança com Aécio e a configuração de uma disputa entre ele e FHC pela presidência do partido no ano que vem, Serra terá que ser generoso com Alckmin, respeitando sua liderança, inclusive na composição do governo.

Só que, para isso, Alckmin terá que sair das eleições com força pelo menos em São Paulo. Daí, a decisão de investir em São Paulo: além de dar sinais de ânimo na campanha, a idéia é preservar seu patrimônio no Estado. Como toda essa manobra seria uma demonstração de que alckmistas admitem, sim, o risco de derrota, alguns aliados de Alckmin nem gostam de tocar no assunto.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 14/09/2006)

Lula, com 50%, mantém vitória no primeiro turno

Vantagem de petista sobre demais candidatos oscila de 13 para 11 pontos percentuais do total de votos

A 19 dias da eleição para a Presidência, o atual ocupante do cargo e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se mantém com chances de vencer a disputa no primeiro turno, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha ontem e hoje, dias 11 e 12 de setembro. Em relação ao levantamento da semana passada, realizado nos dias 4 e 5 de setembro, Lula oscilou um ponto para baixo, passando de 51% para 50% das intenções de voto. O segundo colocado, Geraldo Alckmin (PSDB) oscilou um ponto para cima, de 27% para 28%, e Heloísa Helena (PSOL) se manteve com 9% das preferências. Cristovam Buarque (PDT) e Ana Maria Rangel (PRP) continuam com 1% das intenções de voto. José Maria Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL) e Rui Costa Pimenta (PCO), mais uma vez, foram citados por menos de 1% dos entrevistados. Votariam em branco ou anulariam o voto 4% e se declaram indecisos 6%.

Se a eleição fosse realizada hoje, Lula estaria reeleito com 56% dos votos válidos, isto é, excluídos os votos nulos, em branco e os eleitores que se declaram indecisos.
O Datafolha ouviu 3817 eleitores em 217 municípios do país. A margem de erro máxima, para o total da amostra, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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FONTE: Datafolha(texto do dia 12/09/2006)

Aécio Neves nega que deixará o PSDB após as eleições

da Folha Online

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), candidato à reeleição, negou que pretende mudar de partido depois das eleições de outubro. "Estou muito bem, feliz no PSDB", afirmou o tucano.

Ele disse que, neste momento, não vai tratar de assuntos que não sejam eleições. "Essa reflexão pode até ser necessária, mas tudo o que se utilizar pode de alguma forma afetar o ambiente eleitoral", afirmou.

Aécio fez uma leve crítica ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto à carta aos eleitores do PSDB, publicada na semana passada no site do partido.

No documento, FHC faz críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e diz que o PSDB "tapou o sol com a peneira" no caso do senador Eduardo Azeredo, acusado de praticar caixa dois na campanha de 1998, quando foi derrotado na disputa pela reeleição ao governo de Minas.

Ele disse que o melhor é "guardar essa discussão" para depois das eleições. "[FHC] É um dos grandes homens públicos do Brasil. Eu acho apenas que fazer um debate interno do partido a três semanas das eleições não pode contribuir para o processo. Nós vamos guardar esta discussão."

Transferência

Apontado pelas pesquisas de intenção de voto em primeiro lugar no Estado, Aécio Neves afirmou que não acredita numa eventual transferência de seus votos ao candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, que aparece em segundo lugar na disputa ao Palácio do Planalto.

"São situações muito diferentes. Não dá para comparar. A transferência de votos é sempre algo limitado", afirmou o tucano.

O governador mineiro disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição pelo PT, "é um adversário consolidado no Estado, com força eleitoral em diversas regiões de Minas Gerais".

"Ele [Lula] já demonstrou isso nas últimas eleições. Mas acho que o Geraldo avança e acredito que, com nossa insistência, temos chance de ajudá-lo a chegar ao segundo turno", completou.

Sobre um eventual erro do PSDB e da oposição na condução da CPI que investigou a participação de membros do governo Lula em corrupção, Aécio disse que o que disser neste período "não vai acrescentar nada".

"Naquele momento, o PSDB agiu como nós achamos que deveria agir. Eu não acho que tenha sido equivocado, até porque estamos no páreo."

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 12/09/2006)

Serra diz que carta de FHC é positiva e Mercadante considera "desequilíbrio"

da Folha Online

O candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, José Serra, disse neste sábado que a carta publicada aos eleitores no site do partido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é positiva para o presidenciável Geraldo Alckmin. Já o candidato do PT, Aloizio Mercadante, considerou que a carta mostra o "desequilíbrio" de FHC.

Apesar de FHC ter feito elogios a Alckmin e atacado a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, a carta abriu nova crise na campanha do ex-governador de São Paulo, que está 24 pontos percentuais atrás de Lula, de acordo com a pesquisa Datafolha publicada nesta semana.

O comando da campanha do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin discorda de Serra e considera que a carta dá como praticamente certa a reeleição de Lula no primeiro turno.

Serra disse hoje que o efeito negativo sobre a campanha de Alckmin não passa de especulação. "A carta é boa porque mostra os aspectos essenciais do governo Lula e as diferenças dele com os candidatos e dirigentes do PSDB, inclusive entre Alckmin e Lula, o que é muito positivo para o Alckmin".

Sobre os comentários a respeito do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Serra disse que FHC o "defendeu", embora tenha dito na carta que o partido errou ao "tapar o sol com a peneira" em relação a Azeredo.

O mineiro foi acusado de ter feito caixa dois na campanha de 1998 com a ajuda de Marcos Valério, escândalo conhecido como mensalão.

Desespero

Para Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, o conteúdo da carta é um sinal de "desespero" e "aflição", e mostra ainda o "desequilíbrio" do ex-presidente.

"Nenhum candidato do PSDB pediu apoio a ele porque os oito anos do governo dele o povo não quer lembrar. Eu acho que isso é o que leva a esse desequilíbrio. E é desta forma errática que Fernando Henrique Cardoso tem participado da vida pública do país", afirmou.

FONTE: Folha de São Paulo(texto do dia 09/09/2006)